Chuva favorece plantio de soja e recuperação de pastagens no MS

A chegada das chuvas do mês de outubro foi recebida com otimismo e expectativa pelos produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Cumprindo a previsão, o volume de precipitação ultrapassou os 100 milímetros no Estado no final de semana. Em Dourados, segundo o Boletim Guia Clima, da Embrapa Agropecuária Oeste, a chuva acumulada em outubro já chega a 150mm. Tanta água é fundamental para recuperar o solo e garantir o bom desenvolvimento das culturas, castigadas pela estiagem prolongada. Com a umidade adequada, produtores aproveitaram o feriado para iniciar o plantio da soja em várias regiões do Estado. A chuva também foi bem-vinda para a pecuária, garantindo recuperação das pastagens e das nascentes de água.

Segundo o Sindicato Rural de Dourados, as chuvas favorecem o plantio da soja, que ainda não havia sido semeada por falta de umidade no solo. O plantio começa a ser feito agora, quase um mês após o fim do vazio sanitário da soja. “A chuva foi muito positiva! Desde ontem (12), as plantadeiras já estão nas lavouras para garantir a semeadura da soja e a partir de agora o plantio deve ser bem acelerado”, afirma o presidente da entidade, Ângelo Ximenes. O ruralista acredita que até a próxima semana, o Estado deverá ultrapassar os 50% de área plantada com soja.

Fim da estiagem prolongada favorece plantio de soja em todo o Estado e previsão é chegar a 50% de área plantada até a próxima semana (Foto: Divulgação)

Segundo a Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso do Sul), a previsão é plantar 3,777 milhões de hectares de soja no MS. Apesar do aumento na área, a produtividade deve ser menor em comparação ao ciclo passado, quando o Estado atingiu recorde na produção. A instabilidade do clima e a previsão de chuvas abaixo da média devem comprometer a produtividade, que foi reduzida em 10%, alcançando 56 sacas por hectare. Em Dourados, a previsão é plantar 225 mil hectares de soja – deste total, apenas 1% (ou 2.250 hectares) são áreas irrigadas.

Pecuária

A chuva também foi bem recebida pelos pecuaristas do Estado, já que a falta de água compromete de forma severa a criação de animais. O presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Jonatan Pereira Barbosa, a chuva chega atrasada mas ainda assim será importante para a recuperação das pastagens e também das nascentes, que servem como fonte de água para os animais. “A seca foi muito rigorosa, e a partir de agora esperamos que as chuvas se normalizem para haver um melhor equilíbrio na área rural”, afirmou o presidente à Revista Vida Rural.

Segundo ele, a estiagem prolongada compromete as pastagens, que são a principal fonte de alimentação dos animais. Para evitar perdas ainda mais expressivas, o produtor precisa suplementar com ração à base de milho e farelo de soja – o que encarece a produção e, muitas vezes, torna-se inviável. “Hoje, o preço da ração é quase que proibitivo para o produtor. Por isso, precisamos das chuvas para regularizar o pasto e a alimentação do rebanho”, acrescenta.

Segundo a Acrissul, situação da pastagem é crítica em várias regiões do Estado; pasto é principal fonte de alimentação dos animais (Fotos: Rubens Moreira Neto)

De acordo com a entidade, houve relatos de situação crítica em todo o Estado, até mesmo na região do Pantanal, em áreas tradicionalmente alagadas. “A seca foi muito intensa e, com isso, surge outro tormento que são as queimadas. Agora, nossa expectativa é muito positiva e esperamos que o ciclo de chuvas seja benéfico para a produção e também para o meio ambiente.”

O engenheiro agrônomo e pecuarista Antônio Amaral, que tem propriedade na região de Itaporã, conta que este foi o ano de maior dificuldade desde 1987, quando adquiriu a área. Nas últimas semanas, ele perdeu 15 cabeças de gado, em consequência de uma série de fatores, entre eles a seca severa e a ocorrência de onze geadas intensas e repetidas – o que comprometeu a pastagem. “O pasto rebrotou por três vezes e queimou com as geadas, e com isso o rebanho ficou sem ter o que comer. Usamos ração, cana e sais minerais proteinados e mesmo assim não foi suficiente”, relata.

Nos últimos dias, o volume de chuvas na região passou de 150mm, o que deve ser favorável para recuperar a nutrição dos animais. “Agora a pastagem vai responder, porém ainda vai um mês para haver uma sobra de pasto. O gado está com uma fome reprimida e vai querer saciar essa fome”, garante.

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