# Déficit do setor público sobe para R$ 55,3 bilhões em junho

> O déficit primário do setor público consolidado alcançou R$ 55,3 bilhões em junho de 2026, conforme dados do Banco Central. O acumulado de 12 meses registra rombo de R$ 157,2 bilhões, influenciado por despesas com juros e operações de swap cambial. O resultado reflete a trajetória fiscal expansionista do período.

*Revista Vida Rural · Safra e Produção · 31 de julho de 2026 · Sebastião Quirino*

O setor público consolidado registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho de 2026, segundo o Banco Central. No acumulado de 12 meses, o rombo chega a R$ 157,2 bilhões, pressionado por juros e swap cambial.

## Déficit do setor público sobe para R$ 55,3 bilhões em junho, diz Banco Central

O setor público consolidado, que reúne União, estados, municípios e empresas estatais, registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões em junho de 2026. O número consta do relatório Estatísticas Fiscais, divulgado nesta sexta-feira (31) pelo Banco Central. Em junho de 2025, o déficit estava em R$ 47,1 bilhões.

O déficit primário do setor público consolidado subiu para R$ 55,3 bilhões em junho de 2026, ante R$ 47,1 bilhões no mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, o rombo chega a R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB, segundo o Banco Central.

## O que explica a piora no déficit de junho

A autoridade monetária apontou um fator específico para o crescimento do rombo: a evolução desfavorável do resultado das operações de swap cambial. Em junho de 2025, essas operações geraram ganho de R$ 20,9 bilhões; em junho de 2026, houve perda de R$ 9,3 bilhões. A inversão de sinal, de um ganho para uma perda, contribuiu diretamente para o aumento do déficit.

Quem acompanha as contas públicas há anos reconhece o padrão. As operações de swap cambial funcionam como uma espécie de seguro contra a variação do dólar, e o resultado delas oscila conforme o comportamento da moeda. Quando o câmbio se desvaloriza, o Tesouro acaba pagando mais, e o efeito aparece nas estatísticas fiscais meses depois.

## Acumulado de 12 meses: R$ 157,2 bilhões

No acumulado de 12 meses, o déficit primário do setor público consolidado chegou a R$ 157,2 bilhões, o que equivale a 1,19% do PIB. O resultado ficou 0,06 ponto percentual acima do déficit acumulado registrado em maio.

O número reforça a tendência de deterioração gradual das contas públicas, ainda que o ritmo seja moderado. A comparação com o mês anterior mostra que o crescimento do rombo foi pequeno, mas a direção preocupa.

## Juros nominais: R$ 110,7 bilhões em junho

Os gastos do setor público consolidado com juros nominais somaram R$ 110,7 bilhões em junho de 2026, ante R$ 61,0 bilhões em junho de 2025. A alta é expressiva e reflete, em boa parte, o patamar da taxa básica de juros e o custo da dívida pública.

Considerando o acumulado em 12 meses até junho de 2026, os juros nominais alcançaram R$ 1,16 trilhão, o equivalente a 8,80% do PIB. No mesmo período de 2025, o acumulado estava em R$ 912,3 bilhões (7,41% do PIB). A diferença de quase R$ 250 bilhões em um ano mostra o peso crescente da dívida sobre o orçamento.

## Resultado nominal: déficit de R$ 166 bilhões no mês

O Banco Central lembra que o resultado nominal do setor público consolidado, que soma o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 166 bilhões em junho. No acumulado em 12 meses, o déficit nominal ficou em R$ 1,31 trilhão, o que representa 9,99% do PIB, resultado 0,38 ponto percentual acima do obtido no mês anterior.

Aqui mora a letra miúda que o anúncio costuma esconder. O déficit primário, que é o mais comentado, exclui os juros da dívida. Quando se inclui esse custo, o rombo real das contas públicas é muito maior. Em junho, o déficit nominal foi três vezes superior ao primário.

## Governo Central, estados e estatais: quem puxou o rombo

O relatório do Banco Central detalha a contribuição de cada esfera. O Governo Central (Tesouro, Previdência e Banco Central) registrou déficit de R$ 47,2 bilhões. Os governos regionais, que incluem estados e municípios, tiveram déficit de R$ 6,6 bilhões. Já as empresas estatais apresentaram déficit de R$ 1,5 bilhão.

A concentração do rombo no Governo Central não surpreende. É lá que estão os principais gastos com Previdência, pessoal e transferências, além do efeito do swap cambial. Estados e municípios, por sua vez, têm mostrado mais disciplina fiscal nos últimos anos.

## Dívida Líquida do Setor Público: 68,5% do PIB

A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) chegou a 68,5% do PIB, o que equivale a R$ 9 trilhões, em junho. A alta foi de 0,6 ponto percentual do PIB no mês.

O Banco Central justificou o aumento com uma combinação de fatores: os impactos dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), do déficit primário (0,4 p.p.), dos demais ajustes da dívida externa líquida (0,1 p.p.), da desvalorização cambial de 2,4% no mês (que contribuiu negativamente com -0,2 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,4 p.p.).

No ano, a dívida apresentou alta de 3,2 p.p. do PIB. O BC explica que o movimento refletiu, em especial, os impactos dos juros nominais (4,3 p.p.), do déficit primário acumulado (0,6 p.p.), do efeito da valorização cambial acumulada de 5,9% (0,6 p.p.) e do crescimento do PIB nominal, que contribuiu negativamente com -2,2 p.p.

## Dívida Bruta do Governo Geral: 81,9% do PIB

A Dívida Bruta do Governo Geral, que engloba governo federal, INSS e governos estaduais e municipais, chegou a 81,9% do PIB, o equivalente a R$ 10,8 trilhões, em junho. O aumento foi de 0,9 p.p. do PIB em relação ao mês anterior.

Segundo o Banco Central, a evolução mensal decorreu principalmente dos juros nominais apropriados (0,8 p.p.), das emissões líquidas de dívida (0,6 p.p.) e do efeito da variação do PIB nominal (-0,5 p.p.). No ano, o aumento de 3,3 p.p. do PIB resultou da incorporação de juros nominais (4,9 p.p.), das emissões líquidas de dívida (1,3 p.p.), do crescimento do PIB nominal (-2,7 p.p.) e do efeito da valorização cambial (-0,2 p.p.).

## O que esperar da trajetória fiscal

A leitura dos números de junho indica que o ajuste fiscal ainda não produziu efeito consistente sobre as contas públicas. O déficit primário segue acima da meta, e os juros nominais continuam consumindo uma fatia crescente do orçamento.

Para o produtor rural e para quem vive do crédito, o cenário importa de perto. Juros altos encarecem o custo do financiamento, e o espaço para novos programas de crédito subsidiado, como o Plano Safra, depende diretamente da saúde fiscal do governo. Quando o déficit cresce, a pressão por corte de gastos aumenta, e linhas de crédito podem ser revisadas.

A trajetória da dívida, tanto líquida quanto bruta, segue em alta. O Banco Central já mostrou que os juros nominais são o principal vetor de crescimento do endividamento. Se a taxa básica não cair de forma consistente, o quadro tende a se manter.

## Perguntas Frequentes

### O que é déficit primário?

O déficit primário ocorre quando as despesas do setor público superam as receitas, sem considerar os gastos com juros da dívida. Em junho de 2026, o déficit primário foi de R$ 55,3 bilhões.

### Qual a diferença entre déficit primário e nominal?

O déficit nominal inclui os juros da dívida. Em junho, o déficit nominal foi de R$ 166 bilhões, bem maior que o primário, porque os juros nominais somaram R$ 110,7 bilhões no mês.

### O que é a Dívida Líquida do Setor Público?

É a diferença entre o total das dívidas do setor público e seus ativos financeiros. Em junho, a DLSP chegou a 68,5% do PIB, cerca de R$ 9 trilhões.

### O que influenciou o aumento do déficit em junho?

O Banco Central citou a evolução desfavorável das operações de swap cambial, que passaram de ganho de R$ 20,9 bilhões em junho de 2025 para perda de R$ 9,3 bilhões em junho de 2026.

### Como o déficit afeta o crédito rural?

O déficit público pressiona os juros e limita o espaço para subsídios. Linhas como o Plano Safra dependem da capacidade do governo de gastar, que fica mais restrita quando o rombo cresce.

Plano Safra 2026: o que muda no crédito rural Taxa Selic e o custo do crédito rural Dívida pública e o orçamento do produtor

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Fonte (canonical): https://www.revistavidarural.com.br/safra-e-producao/deficit-setor-publico-sobe-r-553-bilhoes-junho/
