# Preços maiores sustentam alta das exportações aos EUA em agosto

> As exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 3,190 bilhões em agosto, com alta de 12,1% ante o mesmo mês de 2025. A valorização dos preços sustentou o crescimento, enquanto o volume recuou 3,1%. O resultado reflete ganho de receita por tonelada, sem expansão física das vendas.

*Revista Vida Rural · Safra e Produção · 04 de setembro de 2026 · Sebastião Quirino*

As exportações brasileiras aos EUA somaram US$ 3,190 bilhões em agosto, alta de 12,1% ante 2025, sustentada pela valorização dos preços. O volume, porém, recuou 3,1%.

No mês em que entraram em vigor as novas tarifas do governo Donald Trump, a alta dos preços médios sustentou o crescimento das vendas brasileiras aos Estados Unidos. As exportações somaram US$ 3,190 bilhões em agosto, avanço de 12,1% ante o mesmo mês de 2025, quando totalizaram US$ 2,845 bilhões, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, Herlon Brandão, o resultado foi determinado principalmente pela valorização dos produtos vendidos aos estadunidenses. "Esse aumento das exportações brasileiras no mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos, de 8,6%", disse ao apresentar os dados da balança comercial.

Entre os itens que mais contribuíram para o avanço em valor estão aeronaves e outros equipamentos, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, cal, cimento e materiais de construção, tubos de ferro ou aço, celulose e café. Aeronaves e carne bovina estão entre os produtos excetuados das novas tarifas americanas.

A letra miúda está no volume. Apesar da alta de 8,6% no preço médio, as exportações aos EUA recuaram 3,1% em volume em agosto. No acumulado de janeiro a agosto, a queda chega a 13,6% em volume e a 9,7% em valor, para US$ 24,105 bilhões. As importações de produtos estadunidenses também diminuíram no ano: somaram US$ 27,316 bilhões entre janeiro e agosto, recuo de 8,6% ante 2025, levando o déficit bilateral a US$ 3,211 bilhões no período.

Somente em agosto, as compras dos EUA cresceram 1,1%, para US$ 4,014 bilhões, gerando déficit de US$ 824 milhões no comércio bilateral. Brandão afirmou que as oscilações são esperadas diante das interferências que atingem o comércio entre os dois países. "Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo", avaliou. Segundo o Mdic, pouco mais de 20% do comércio bilateral foi afetado pelas tarifas.

Enquanto isso, as exportações para a União Europeia tiveram forte avanço em agosto: US$ 5,82 bilhões, crescimento de 46,4% em valor e 30,3% em volume. Petróleo, cobre, soja, óleos combustíveis, café, tabaco e carne bovina puxaram as vendas. Brandão citou a demanda por combustíveis por causa do conflito no Oriente Médio e a procura por cobre ligada ao setor de tecnologia, além dos efeitos do acordo Mercosul-UE, ainda difíceis de dimensionar por falta de dados completos dos importadores.

A balança comercial brasileira fechou agosto com superávit de US$ 7,39 bilhões, alta de 23,8% ante 2025. Os EUA foram o único parceiro a registrar déficit para o Brasil. No acumulado do ano, o saldo positivo chega a US$ 55,32 bilhões, crescimento de 28,2%.

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Fonte (canonical): https://www.revistavidarural.com.br/safra-e-producao/precos-maiores-sustentam-alta-exportacoes-aos-eua-agosto/
