Sustentabilidade

Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações

ResumoApex Brasil prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações brasileiras. A iniciativa foca em produtos da agricultura familiar, como café especial, mel e frutas. O objetivo é reduzir a dependência de commodities tradicionais e ampliar a presença de itens de maior valor agregado no mercado internacional.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) prevê um plano de R$ 130 milhões para diversificar as exportações do país, com foco em produtos da agricultura familiar, como café especial, mel e frutas. A iniciativa busca reduzir a dependência de com

Aparecida Sales
Aparecida Sales Repórter de Agricultura Familiar · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações

Apex prevê plano de R$ 130 milhões para diversificar exportações

Na propriedade de Seu Antônio, em São João del-Rei (MG), o café especial sai da roça pequena direto para a Europa. São 12 hectares que produzem grãos certificados, vendidos a um preço 40% maior que o do café commodity. Ele é um dos milhares de pequenos produtores que podem se beneficiar do novo plano da Apex Brasil.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex Brasil) prevê um plano de R$ 130 milhões para diversificar as exportações do país. O recurso será aplicado entre 2026 e 2028, com foco em setores como agricultura familiar, agroindústria, tecnologia da informação e economia criativa. A meta é reduzir a dependência de commodities, soja, minério de ferro, petróleo, que hoje respondem por mais de 60% da pauta exportadora brasileira.

Por que diversificar as exportações?

Depender de poucos produtos deixa o país vulnerável a choques de preço e demanda. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as exportações de commodities representaram 62% do total em 2025. Quando o preço da soja cai no mercado internacional, a balança comercial inteira sente.

A diversificação não é só uma estratégia macroeconômica. Para o pequeno produtor, significa acesso a mercados que pagam melhor. O café especial de Seu Antônio, por exemplo, é vendido a R$ 45 o quilo na Europa, contra R$ 25 no mercado interno. "Sem a Apex, eu não teria chegado ao comprador alemão", diz ele.

Setores prioritários do plano

O plano da Apex Brasil contempla cinco eixos principais:

  • Agricultura familiar: café especial, mel, frutas (manga, uva, melão), castanhas e produtos orgânicos. A expectativa é atender 2 mil produtores em três anos.
  • Agroindústria: queijos artesanais, cachaça, azeites e doces. O queijo minas artesanal, por exemplo, já é exportado para 12 países.
  • Tecnologia: softwares, serviços de TI e startups. O setor de tecnologia brasileiro exportou US$ 3,5 bilhões em 2025, segundo a Brasscom.
  • Economia criativa: design, moda, artesanato e música.
  • Saúde: equipamentos médicos e fármacos.

Cada eixo terá um orçamento específico, com ações de capacitação, participação em feiras internacionais e rodadas de negócios. A Apex Brasil estima que o plano pode gerar US$ 500 milhões em novas exportações até 2028.

Como o plano chega ao pequeno produtor?

Para acessar os recursos, o produtor precisa estar formalizado como MEI ou microempresa rural. A Apex Brasil, em parceria com o Sebrae e o Ministério da Agricultura, vai oferecer cursos online gratuitos de exportação, com foco em certificações (orgânico, fair trade, selo de origem) e logística.

O café de Seu Antônio já tem certificação de comércio justo. "O selo abriu portas. Agora, com o plano, quero aumentar a produção e vender para a Ásia", planeja.

Desafios e críticas

Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o orçamento de R$ 130 milhões é insuficiente para transformar a pauta exportadora de um país do tamanho do Brasil. "Para efeito de comparação, o programa de promoção de exportações da China investe US$ 2 bilhões por ano", diz o economista Carlos Alberto de Oliveira, da FGV.

Há também o desafio da burocracia. Pequenos produtores reclamam da dificuldade de obter certificações e de acessar linhas de crédito para adequar a produção aos padrões internacionais. O plano da Apex prevê a simplificação de processos, mas a implementação depende de articulação com outros órgãos.

O caminho prático

O produtor interessado deve procurar o escritório regional da Apex Brasil ou acessar o site da agência. O primeiro passo é preencher um cadastro e participar de uma capacitação básica. Depois, a equipe técnica ajuda a identificar os mercados mais promissores para cada produto.

como exportar pela agricultura familiar

O plano também prevê a criação de um fundo garantidor para pequenos exportadores, com recursos do BNDES. A ideia é reduzir o risco de inadimplência e facilitar o acesso a crédito para investimentos em embalagem, logística e certificação.

Perguntas Frequentes

Quanto a Apex Brasil vai investir no plano de diversificação?

A Apex Brasil prevê um plano de R$ 130 milhões para diversificar as exportações, com aplicação entre 2026 e 2028.

Quais setores serão priorizados?

Os setores prioritários são agricultura familiar, agroindústria, tecnologia, economia criativa e saúde.

Como o pequeno produtor pode participar?

O produtor precisa estar formalizado como MEI ou microempresa rural e acessar os cursos gratuitos de exportação oferecidos pela Apex Brasil em parceria com o Sebrae.

O plano já está em vigor?

Sim, o plano começou a ser implementado em janeiro de 2026, com as primeiras capacitações e participações em feiras internacionais.

Qual a meta de novas exportações?

A Apex Brasil estima que o plano pode gerar US$ 500 milhões em novas exportações até 2028.

O plano substitui outros programas de exportação?

Não. O plano é complementar a iniciativas existentes, como o Programa de Qualificação para Exportação (Peiex) e o Brasil Mais Produtivo.

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