# Poupança: retirada de R$ 10,5 bi em agosto

> A poupança registrou retirada líquida de R$ 10,5 bilhões em agosto, terceiro mês consecutivo de saques, segundo o Banco Central. Com a taxa Selic em 14% ao ano, a caderneta rende menos que aplicações como CDBs e fundos DI, levando investidores a migrar para opções mais rentáveis.

*Revista Vida Rural · Sustentabilidade · 10 de setembro de 2026 · Reinaldo Krieger*

Poupança registra saques líquidos de R$ 10,5 bilhões em agosto, o terceiro mês seguido de retiradas, segundo o Banco Central. Com a Selic em 14% ao ano, a caderneta perde espaço para aplicações com rendimento maior.

O saldo da caderneta de poupança voltou a encolher em agosto. Segundo relatório do Banco Central divulgado nesta quinta-feira (10), as saídas superaram as entradas em R$ 10,5 bilhões, no terceiro mês seguido de retirada líquida. No mês, os brasileiros aplicaram R$ 357,7 bilhões e sacaram R$ 368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas somaram R$ 6,5 bilhões.

Em números diretos: a poupança captou menos do que devolveu, e o saldo total da caderneta segue pouco acima de R$ 1 trilhão. Não é um movimento isolado, e é aí que o produtor que acompanha preço de grão precisa prestar atenção. O juro alto mexe com o custo do dinheiro que financia a safra e com a atratividade de deixar recurso parado na caderneta.

O que explica a saída

A razão principal apontada no relatório é a manutenção da Selic em patamar elevado. A taxa básica de juros está em 14% ao ano, definida pelo Comitê de Política de Política Monetária (Copom) do BC. Com juro nesse nível, aplicações atreladas à Selic ou a títulos públicos entregam retorno maior do que a poupança, que rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Ou seja, o dinheiro migra para onde rende mais.

Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião de março, num cenário de queda da inflação. A guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a queda da taxa.

O ano na caderneta

Até agosto, a poupança acumula R$ 57,1 bilhões em retiradas líquidas em 2026. Apenas em maio houve mais depósitos que saques. O histórico recente reforça o padrão: em 2023 e 2024, as retiradas líquidas foram de R$ 87,8 bilhões e R$ 15,5 bilhões, respectivamente. No ano passado, o saldo negativo chegou a R$ 85,6 bilhões.

A Selic é o principal instrumento do BC para perseguir a meta de 3% para o IPCA, com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Quando o Copom sobe os juros, o crédito encarece e a poupança fica mais atrativa. Quando corta, o efeito é o oposto.

E a inflação? Em julho, os alimentos ficaram mais baratos e ajudaram a inflação oficial a perder força pelo quarto mês seguido, fechando em 0,07%, segundo o IBGE. O resultado levou o IPCA a acumular 4,44% em 12 meses, de volta à margem de tolerância da meta. O dado de agosto será divulgado nesta sexta-feira (11) pelo IBGE.

Para quem vende grão e trava preço, a leitura prática é simples: enquanto a Selic seguir alta, o dinheiro parado na poupança rende menos do que em alternativas atreladas ao juro. Isso não decide venda, mas muda o custo de carregar posição e o retorno do caixa entre uma safra e outra. Venda por número, não por palpite.

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Fonte (canonical): https://www.revistavidarural.com.br/sustentabilidade/brasileiros-retiram-r-105-bilhoes-poupanca-agosto/
