# Entidades industriais e trabalhistas consideram tímida queda da Selic

> A Selic foi reduzida pelo Copom de 14% para 13,75% ao ano, na quinta queda consecutiva da taxa básica de juros. CNI, CUT, Força Sindical e CBIC classificaram o corte como tímido e defendem a continuidade do ciclo de redução para destravar o crédito e estimular a atividade industrial.

*Revista Vida Rural · Sustentabilidade · 17 de setembro de 2026 · Sebastião Quirino*

O Copom reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano, na quinta queda consecutiva. CNI, CUT, Força Sindical e CBIC consideram o corte tímido e cobram continuidade do ciclo para destravar o crédito.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic de 14% para 13,75% ao ano nesta quarta-feira (16). O corte de 0,25 ponto percentual foi recebido como tímido pelas representações da indústria e dos trabalhadores, que avaliam que a medida não alivia a situação financeira das empresas e das famílias. É a quinta redução consecutiva da taxa básica.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou, em nota, que há excesso de prudência do Copom diante da desaceleração da inflação corrente. A entidade cita trajetória consistente de queda, com 4,22% no acumulado em 12 meses até agosto, e melhora das expectativas de mercado, que indicam convergência gradual para a meta de 3% ao ano. O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu continuidade do ciclo: "É essencial que o Banco Central dê continuidade ao ciclo de redução da Selic", afirmou.

Mesmo após o corte, a política monetária segue austera. Com a Selic em 13,75% ao ano, o juro real está em torno de 9%, cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa real neutra estimada pelo Banco Central, de 5% ao ano.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a queda como passo importante, mas insuficiente diante do nível elevado dos juros. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, destacou que a Selic influencia diretamente o custo de empréstimos e financiamentos e que, mesmo com defasagem, a redução abre espaço para crédito mais barato.

A Força Sindical foi mais dura e chamou o corte de "balde de água fria" para a economia no quarto trimestre. Para a central, o Banco Central perdeu a oportunidade de reduzir os juros de forma drástica e mantém uma política que concentra renda e desestimula investimentos.

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) considerou a redução positiva, mas cobrou continuidade. O presidente da entidade, Eduardo Almeida, lembrou que os juros de dois dígitos desde o início de 2022 desafiam setores de ciclo longo, como a construção, dependentes de crédito e previsibilidade.

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