# Ministro chama tarifa dos EUA de "indevida" e promete reação

> O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, classificou como "indevida" a tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi considerada baseada em argumentos "não reais". O governo brasileiro promete reação contra a tarifa norte-americana.

*Revista Vida Rural · Sustentabilidade · 24 de julho de 2026 · Aparecida Sales*

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, classificou como "indevida" a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e afirmou que a medida se baseia em argumentos que "não são reais".

## Ministro chama tarifa dos EUA de "indevida" e promete reação

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, classificou como "indevida" a nova tarifa de 12,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em entrevista coletiva na noite desta quinta-feira (23), ele afirmou que a medida se baseia em argumentos que "não são reais".

O governo brasileiro buscará reverter a decisão por meio de negociações, mas não descarta adotar medidas de reciprocidade, conforme previsto na Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada neste ano. A alíquota entra em vigor nesta sexta-feira (24) e, para parte das exportações, será somada à tarifa de 25% que começou a valer nesta semana.

## Por que o ministro considera a tarifa "indevida"?

Márcio Elias Rosa rejeitou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos, que alegam que o Brasil não adota mecanismos suficientes para impedir a importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

"O Brasil tem compromissos históricos com o combate ao trabalho forçado, com a prevenção, o controle, a fiscalização e o acolhimento das vítimas. O Brasil é signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho. Não abona nem apoia essa prática e, mais do que isso, tem compromisso com os direitos humanos e com o trabalho digno", declarou o ministro.

Para ele, a nova tarifa foi construída sobre uma premissa equivocada. "É uma tarifa indevida, baseada em fatos que não são reais", acrescentou.

## Quais setores serão mais afetados?

Apesar de uma extensa lista de produtos isentos das novas tarifas, o ministro afirmou que diversos setores da indústria brasileira serão atingidos pela cobrança acumulada de 37,5%. Entre os exemplos citados estão calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos que não sejam farmacêuticos.

"Lamentavelmente, muitos setores estarão sujeitos à dupla tributação, à dupla taxação, como é o caso, por exemplo, de calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos que não sejam farmacêuticos. Para esses, infelizmente, a tarifa passa a ser de 37,5%", destacou.

Segundo o MDIC, produtos como carne bovina, café, suco de laranja e frutas permanecem fora tanto da tarifa de 25% quanto da nova sobretaxa de 12,5%. Ao todo, cerca de 2 mil produtos exportados pelo Brasil aos Estados Unidos ficaram isentos das duas medidas.

O MDIC informou que ainda não existe uma lista completa dos produtos que sofrerão dupla tarifação. A pasta continuará nos próximos dias a fazer o levantamento de todos os itens afetados simultaneamente pelas sobretaxas de 25% e de 12,5%.

## Governo negocia, mas não descarta reciprocidade

O ministro afirmou que o governo brasileiro continuará priorizando o diálogo com Washington para tentar reverter as tarifas. Ao mesmo tempo, ressaltou que o país não abrirá mão dos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica.

"O Brasil não pode renunciar à possibilidade de usar o instrumento da reciprocidade. Seria abrir mão de um direito que protege a economia brasileira e os interesses do Brasil", disse.

Segundo ele, a adoção de eventuais medidas dependerá da evolução das negociações. "O momento e a forma de fazê-lo é que o tempo vai determinar. É óbvio que o interesse primário é negociar. É óbvio que o objetivo é evitar e afastar essas tarifas, porque elas são extremamente injustas e muito danosas", afirmou.

## Próximos passos do governo

De acordo com Márcio Elias Rosa, a prioridade do governo neste momento é apoiar os setores mais afetados pelas tarifas, ampliar a busca por novos mercados e preparar a estratégia jurídica e diplomática do Brasil. O ministro informou que o governo pretende retomar as conversas com as autoridades americanas no próximo mês, após concluir o levantamento dos impactos da nova medida sobre as exportações brasileiras.

Enquanto isso, empresas atingidas poderão contar com recursos do programa Brasil Soberano, que disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito para capital de giro, investimentos, inovação e abertura de novos mercados.

como funciona a Lei de Reciprocidade Econômica setores mais afetados por tarifas dos EUA

## Perguntas Frequentes

### Quando a tarifa de 12,5% entra em vigor?

A nova sobretaxa entra em vigor nesta sexta-feira (24).

### Quais produtos brasileiros ficam isentos das tarifas?

Cerca de 2 mil produtos, incluindo carne bovina, café, suco de laranja e frutas, permanecem isentos tanto da tarifa de 25% quanto da nova sobretaxa de 12,5%.

### O que é a Lei de Reciprocidade Econômica?

É uma lei sancionada neste ano que permite ao Brasil responder a medidas comerciais consideradas injustificadas.

### Qual o valor do crédito disponível pelo programa Brasil Soberano?

O programa disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito para capital de giro, investimentos, inovação e abertura de novos mercados.

### O governo brasileiro vai retaliar os EUA?

O governo não descarta adotar medidas de reciprocidade, mas a decisão dependerá da evolução das negociações.

### Quais setores serão mais atingidos pela tarifa acumulada?

Calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes, confecções e produtos químicos não farmacêuticos podem sofrer tarifa acumulada de 37,5%.

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Fonte (canonical): https://www.revistavidarural.com.br/sustentabilidade/ministro-chama-tarifa-eua-indevida-promete-reacao/
