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Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais

ResumoA demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais, morreu aos 99 anos. Pesquisadora do Cebrap e professora da USP, Elza Berquó influenciou gerações com pesquisas sobre fecundidade, migração e saúde da mulher.

Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais, aos 99 anos. Pesquisadora do Cebrap e professora da USP, ela influenciou gerações com pesquisas sobre fecundidade, migração e saúde da mulher.

Sebastião Quirino
Sebastião Quirino Repórter Sênior de Política Agrícola · 17 de julho de 2026 · 3 min de leitura
Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais

Morre a demógrafa Elza Berquó, referência em estudos populacionais no Brasil, aos 99 anos. A pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) e professora aposentada da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) deixa um legado de mais de seis décadas dedicadas a entender como o brasileiro nasce, mora, migra e envelhece.

Ela foi uma das pioneiras na aplicação de métodos quantitativos e qualitativos para compreender a dinâmica populacional, com ênfase na fecundidade, no planejamento familiar e na saúde da mulher. Seu trabalho influenciou diretamente a formulação de políticas públicas nas áreas de saúde e direitos reprodutivos.

A trajetória de Elza Berquó

Nascida em 1927 na cidade de São Paulo, Elza Berquó formou-se em Matemática e logo se interessou pela demografia, campo ainda incipiente no Brasil. Na década de 1960, ingressou na Faculdade de Saúde Pública da USP, onde fundou o primeiro centro de estudos demográficos do país.

Em 1970, participou da criação do Cebrap, instituto de pesquisa que se tornaria referência em ciências sociais. Foi lá que coordenou a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), um dos levantamentos mais completos sobre fecundidade e saúde materno-infantil já realizados no Brasil.

Contribuições para o Censo e as políticas públicas

Berquó integrou comissões técnicas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que orientaram a metodologia do Censo Demográfico. Sua atuação ajudou a incorporar perguntas sobre fecundidade e mortalidade infantil nos questionários censitários, permitindo um retrato mais fiel da realidade brasileira.

Entre as décadas de 1980 e 1990, ela coordenou estudos que mostraram a queda acelerada da taxa de fecundidade no Brasil, de cerca de 6 filhos por mulher em 1960 para pouco mais de 2 no início dos anos 2000. Esses dados embasaram debates sobre planejamento familiar e direitos reprodutivos que resultaram em políticas como a distribuição de contraceptivos pelo SUS.

Legado nos direitos reprodutivos

A pesquisadora foi uma voz ativa na defesa da autonomia feminina sobre o próprio corpo. Em artigos e entrevistas, sustentava que a queda da fecundidade não era fruto apenas de políticas oficiais, mas também da mudança cultural e do acesso à informação.

Em 1994, participou da delegação brasileira na Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento, no Cairo, que definiu o direito à saúde reprodutiva como direito humano fundamental. Sua atuação ajudou a inserir o Brasil no debate global sobre população e desenvolvimento.

Homenagens e reconhecimento

Elza Berquó recebeu títulos de doutora honoris causa por universidades brasileiras e internacionais. Em 2019, a Sociedade Brasileira de Estudos Populacionais (Abep) criou o Prêmio Elza Berquó, que distingue pesquisas na área de demografia com recorte de gênero.

O Cebrap, onde trabalhou até os últimos anos, mantém um acervo com sua obra completa. O velório será realizado nesta terça-feira (10) no Cemitério do Araçá, em São Paulo, restrito a familiares e amigos próximos.

Perguntas Frequentes

Quem foi Elza Berquó?

Elza Berquó foi uma demógrafa brasileira, professora da USP e pesquisadora do Cebrap, referência nos estudos sobre fecundidade, migração e saúde da mulher no Brasil.

Qual foi a principal contribuição de Elza Berquó?

Ela coordenou pesquisas nacionais que embasaram políticas públicas de planejamento familiar e direitos reprodutivos, além de influenciar a metodologia do Censo Demográfico.

Elza Berquó morreu de quê?

A causa da morte não foi divulgada pela família. Ela estava com 99 anos e vinha enfrentando problemas de saúde relacionados à idade.

Onde Elza Berquó trabalhou?

Ela trabalhou na Faculdade de Saúde Pública da USP e no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), onde permaneceu ativa até os últimos anos.

Qual o legado de Elza Berquó para a demografia?

Seu legado inclui a formação de gerações de demógrafos, a produção de dados essenciais para políticas públicas e a defesa dos direitos reprodutivos das mulheres.

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