Sustentabilidade

Orçamento 2027 limita reajuste real de servidores públicos

ResumoO Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027, enviado pelo governo federal ao Congresso Nacional, institui um gatilho fiscal que limita o reajuste real dos servidores públicos a 0,6% acima da inflação. O mecanismo permanece ativo enquanto houver déficit primário nas contas públicas. A medida condiciona a política salarial do funcionalismo à trajetória de ajuste fiscal do país.

O governo federal enviou ao Congresso o PLOA de 2027 com gatilho que limita o crescimento das despesas com servidores a 0,6% acima da inflação, enquanto houver déficit primário.

Reinaldo Krieger
Reinaldo Krieger Colunista de Mercados e Preços · 01 de setembro de 2026 · 2 min de leitura
Orçamento 2027 limita reajuste real de servidores públicos

O governo federal enviou nesta segunda-feira (31) ao Congresso Nacional o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 com um gatilho que limita o crescimento das despesas com servidores públicos. Pela regra, os pagamentos não poderão crescer mais de 0,6% acima da inflação, enquanto as contas públicas registrarem déficit primário.

A estimativa de déficit primário em R$ 52 bilhões em 2026, resultado negativo nas contas do governo sem os juros da dívida pública, foi o que motivou a medida. Como houve resultado negativo em 2025 e há previsão de novo déficit em 2026, a limitação deverá valer para 2027. O gatilho, instituído pelo Artigo 6 do arcabouço fiscal, só poderá deixar de ser aplicado quando as contas voltarem a registrar superávit primário.

Pela regra, enquanto houver déficit primário até 2030, as despesas com pessoal não poderão crescer mais de 0,6% ao ano acima da inflação. O limite abrange gastos com servidores ativos, aposentados e pensionistas, mas não inclui o pagamento de sentenças judiciais, como os precatórios.

Na prática, a regra impede que o governo conceda, em 2027, reajustes que representem ganho real para o funcionalismo federal, caso as contas permaneçam no vermelho. O déficit primário ocorre quando as receitas ficam abaixo das despesas, sem considerar o pagamento de juros da dívida pública. Já o superávit primário acontece quando as receitas superam as despesas, também sem levar em conta os juros.

O arcabouço fiscal, aprovado em 2023, estabelece que o crescimento das despesas deve corresponder a até 70% da alta das receitas, respeitado o limite de 2,5% ao ano acima da inflação. No fim de 2024, o Congresso aprovou novas regras para reforçar o controle das contas públicas, incluindo a restrição a incentivos e benefícios tributários em caso de déficit primário.

A restrição ocorre após o governo ter firmado, em 2024, acordos salariais com a maior parte dos servidores do Executivo federal. As negociações contemplaram reajustes para 2025 e 2026 e reestruturações de carreiras. Na época, o governo informou que os acordos alcançavam 98,2% dos servidores federais. A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, afirmou que as negociações garantiriam a reposição da inflação durante o mandato, além de ganho real para as categorias.

Com a nova limitação fiscal, porém, o espaço para novos aumentos acima da inflação em 2027 fica reduzido enquanto o governo permanecer em situação de déficit primário.

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