# Oxfam Brasil: concentração de riqueza amplia desigualdade política

> Oxfam Brasil, em relatório, aponta que a concentração de riqueza amplia a desigualdade política no país. Dados da organização indicam que indivíduos ricos possuem maior acesso a cargos públicos e influenciam a criação de leis que não favorecem a distribuição de recursos. A entidade destaca o impacto direto da acumulação de renda sobre a representatividade democrática e a formulação de políticas públicas.

*Revista Vida Rural · Sustentabilidade · 25 de agosto de 2026 · Aparecida Sales*

Relatório da Oxfam Brasil aponta que a concentração de riqueza amplia a desigualdade política no país. Dados mostram que ricos têm mais acesso a cargos públicos e influenciam leis que não favorecem a distribuição de recursos.

A desigualdade de renda no Brasil ganha contornos políticos: quem tem mais dinheiro ocupa mais espaços de poder. E, uma vez eleito, tende a legislar contra a distribuição de recursos. A conclusão é do relatório "Um Retrato das Desigualdades Brasileiras: Poder, Privilégio e a Captura da Democracia", divulgado na quarta-feira (19) pela Oxfam Brasil.

A concentração econômica sufoca a democracia ao dar às elites poder de veto sobre políticas públicas e influência direta nas eleições. O estudo analisa como quem dispõe de recursos define as agendas públicas e disputa a destinação dos recursos comuns.

Para os pesquisadores, a engrenagem brasileira tem raízes históricas: o legado da escravidão, a concentração fundiária e a capacidade das classes dominantes de reorganizar privilégios em diferentes ciclos de modernização.

O fenômeno é global. Estudo da Oxfam internacional revelou que a riqueza dos bilionários cresceu US$ 2,5 trilhões no ano passado, chegando a US$ 18,3 trilhões. O acúmulo ameaça liberdades civis: super-ricos têm probabilidade 4.000 vezes maior de ocupar cargos políticos do que cidadãos comuns.

No Brasil, o Global Wealth Report 2026, do banco suíço UBS, posiciona o país em quarto lugar mundial em desigualdade patrimonial. O país encerrou 2025 com cerca de 386 mil milionários, e 69% da população adulta permanece na base da pirâmide, com patrimônio médio de até R$ 51 mil.

Apesar da saída de quase 9 milhões de pessoas da linha da pobreza, o país progrediu pouco. A estrutura tributária "penaliza mais a base do que o topo", mantida por dupla blindagem ideológica e jurídica.

Big techs e bets ampliam o cenário, aproveitando a falta de regulamentação. "Longe de operar como meras plataformas de entretenimento ou tecnologia, essas corporações hoje funcionam como potentes engrenagens de extração econômica e controle social", conclui o estudo.

A Oxfam critica ainda a limitação das políticas de transferência de renda: é possível transferir recursos aos vulneráveis e, ao mesmo tempo, preservar mecanismos fiscais que protegem os super-ricos.

Quem decide essas políticas é um grupo restrito, com perfil "velho conhecido de todos: branco, masculino e rico". O padrão se repete no Judiciário e no Executivo.

Nas eleições de 2024, apenas 13,2% dos municípios elegeram prefeitas. Na Câmara, 82,3% dos eleitos eram homens. No Senado, 23 homens contra 4 mulheres. Entre candidatos ao Senado com patrimônio de até R$ 100 mil, nenhum foi eleito; entre milionários, 55% dos eleitos.

A captura institucional afeta desproporcionalmente populações vulnerabilizadas: mulheres negras, povos indígenas, quilombolas e periferias urbanas.

Para o pequeno produtor, o recado é direto: a concentração de riqueza não é só um número. Ela define quem decide políticas de crédito, terra e assistência técnica. Acompanhar esses dados é o primeiro passo para cobrar representação de verdade. desigualdade política e agricultura familiar

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Fonte (canonical): https://www.revistavidarural.com.br/sustentabilidade/oxfam-brasil-concentracao-riqueza-amplia-desigualdade-politica/
