# Com precatórios, previsão de déficit primário soma R$ 52 bilhões

> A previsão de déficit primário caiu de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões, conforme o Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas enviado ao Congresso Nacional. O impacto dos precatórios e outras despesas é fundamental para entender essa mudança.

*Revista Vida Rural · Sustentabilidade · 24 de julho de 2026 · Sebastião Quirino*

## Com precatórios, previsão de déficit primário soma R$ 52 bilhões

A previsão de déficit primário para este ano foi revista, passando de R$ 60,3 bilhões para R$ 52 bilhões. Essa alteração foi divulgada no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, que foi enviado ao Congresso Nacional na última sexta-feira (24). A revisão reflete uma queda nos gastos obrigatórios que impacta diretamente as finanças públicas.

O déficit primário é definido como o resultado negativo das contas do governo desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública. No caso específico deste ano, a estimativa leva em conta os precatórios, que foram excluídos da meta fiscal até 2026, conforme um acordo estabelecido em 2023 com o Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, algumas despesas relacionadas a defesa, saúde e educação também estão fora da meta fiscal por questões legais.

Ao considerar os precatórios e as despesas que não estão abrangidas pelo arcabouço fiscal, a previsão total de gastos excluídos da meta de resultado primário é de R$ 62,8 bilhões, uma redução em relação aos R$ 64,4 bilhões indicados no relatório anterior. Essa estimativa de déficit primário tem um impacto direto no endividamento do governo.

Por outro lado, ao desconsiderar os precatórios e as exceções do arcabouço fiscal, o governo projeta um superávit primário de R$ 10,8 bilhões. O superávit primário é a economia que o governo realiza para arcar com os juros da dívida pública, o que é uma boa notícia para as finanças públicas.

Devido a essa expectativa de superávit, o governo decidiu não contingenciar verbas no Orçamento deste ano. No relatório enviado, os Ministérios da Fazenda e do Planejamento desbloquearam R$ 5,7 bilhões, diminuindo o total bloqueado do Orçamento de 2026 de R$ 23,7 bilhões para R$ 17,9 bilhões.

Esse bloqueio orçamentário é necessário para respeitar os limites de gastos do arcabouço fiscal, porém não está vinculado à meta de resultado primário. O relatório bimestral ainda prevê um aumento de R$ 12,3 bilhões nas receitas líquidas em comparação ao valor aprovado no Orçamento de 2026, impulsionado principalmente pelo aumento na arrecadação do Imposto de Renda, que é uma consequência do crescimento da inflação após o início do conflito no Oriente Médio.

A equipe econômica também projeta um aumento de R$ 4 bilhões nas despesas totais. As principais variações de despesas em relação aos gastos obrigatórios e as receitas administradas pelo Fisco, que englobam tributos, foram detalhadas no relatório. Ao considerar as transferências para estados e municípios, que aumentarão R$ 7 bilhões, a alta total das receitas líquidas ficou em R$ 12,3 bilhões.

Por fim, em relação às receitas não administradas pela Receita Federal, o relatório reduziu a estimativa em R$ 4,3 bilhões, indicando que as principais variações foram consideradas. Essa revisão nas contas públicas ilustra um cenário em que o governo tenta ajustar suas previsões diante de um contexto econômico desafiador, mantendo a atenção nas necessidades de gastos e receitas.

## Perguntas Frequentes

### O que é déficit primário?

O déficit primário é o resultado negativo das contas do governo sem contar os pagamentos de juros da dívida pública.

### Como os precatórios afetam o orçamento?

Os precatórios estão fora da meta fiscal e impactam a estimativa do déficit primário, resultando em uma revisão nas previsões orçamentárias.

### Qual é a previsão de superávit primário para 2026?

A previsão de superávit primário para 2026 é de R$ 10,8 bilhões, excluindo os precatórios e outras exceções do arcabouço fiscal.

### Quais são as principais receitas que influenciam o orçamento?

As receitas administradas pelo Fisco, como o Imposto de Renda, são determinantes para o orçamento e estão previstas para aumentar devido à inflação.

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Fonte (canonical): https://www.revistavidarural.com.br/sustentabilidade/precatorios-previsao-deficit-primario-soma-r-52-bilhoes/
