# BC lança duplicata escritural para facilitar crédito a empresas

> O Banco Central lançou a duplicata escritural, título digital que simplifica o acesso a crédito para empresas de todos os portes. A medida elimina o uso de papel e entra em vigor em 2026. A duplicata escritural reduz custos operacionais e agiliza a concessão de financiamento, beneficiando especialmente pequenas e médias empresas.

*Revista Vida Rural · Tecnologia no Campo · 30 de junho de 2026 · Aparecida Sales*

O Banco Central lançou a duplicata escritural, um título digital que promete simplificar o acesso a crédito para empresas de todos os portes. A medida, que entra em vigor em 2026, elimina o papel e reduz custos operacionais, beneficiando especialmente pequenos negócios que enfren

Na zona rural de Minas Gerais, a produtora de queijos artesanais Marta Silva, 42 anos, espera há três meses por uma resposta do banco para liberar R$ 15 mil em crédito. Como tantos pequenos empresários, ela enfrenta o entrave da burocracia: o banco pede garantias que ela não tem e exige documentos que o contador demora a emitir. Essa realidade, comum a milhares de CNPJs do país, pode começar a mudar com o lançamento da duplicata escritural pelo Banco Central.

A duplicata escritural é um título de crédito digital que substitui a duplicata física, aquela emitida em papel carbono. Ela permite que empresas registrem suas vendas a prazo em uma plataforma eletrônica do Banco Central, eliminando a necessidade de carimbo, assinatura manuscrita e papel. O sistema entra em vigor em 2026 e promete desburocratizar o acesso a crédito para empresas de todos os portes.

Segundo o Banco Central, a medida pode reduzir em até 60% o custo operacional das operações de crédito com recebíveis. Para Marta, isso significa que, em vez de esperar meses, ela poderia antecipar o valor das vendas de queijo em poucos dias, com taxas mais baixas e sem precisar de fiador. "A duplicata escritural corta intermediários e fraudes, porque o título fica registrado no sistema do BC", explica o economista Carlos Alberto de Oliveira, da FGV.

## Como funciona a duplicata escritural?

A duplicata escritural é emitida eletronicamente pelo vendedor no momento da venda a prazo. O comprador confirma o recebimento da mercadoria ou serviço no mesmo sistema, gerando um título digital que pode ser usado como garantia em operações de crédito. O banco, ao liberar o dinheiro, consulta o registro no BC e sabe exatamente se a duplicata é legítima.

### Vantagens para pequenas empresas

Para micro e pequenas empresas, que representam 99% dos CNPJs ativos no Brasil (segundo o IBGE, o total de empresas ativas em 2025 foi de 213.421.037), a duplicata escritural é uma porta de entrada para crédito mais barato. Antes, o banco exigia análise de balanço, garantias reais e tempo de mercado. Agora, com o título digital, o risco é menor e a taxa cai.

- Redução de custos: sem papel, sem cartório, sem intermediários.
- Agilidade: a antecipação de recebíveis pode ser feita em até 24 horas.
- Segurança: o sistema do BC impede fraudes como duplicatas falsas ou já negociadas.

## Impacto no crédito empresarial

O Banco Central estima que a duplicata escritural pode injetar até R$ 200 bilhões em crédito novo no mercado nos primeiros dois anos. Isso porque muitos pequenos negócios, que hoje não têm acesso a crédito formal, poderão usar seus recebíveis como garantia.

### Quem pode usar?

Qualquer empresa, do MEI à grande corporação, pode emitir duplicatas escriturais. A plataforma do BC é gratuita e integrada aos sistemas bancários. O produtor rural, o pequeno comerciante, a indústria de médio porte, todos se beneficiam.

## Como acessar na prática?

Para usar a duplicata escritural, o empresário precisa:

- Ter um CNPJ ativo.
- Acessar o sistema do Banco Central (via internet banking ou plataforma própria).
- Emitir o título no momento da venda.
- Negociar com o banco a antecipação ou o desconto.

O sistema já está em fase de testes com alguns bancos e deve ser liberado para todos em janeiro de 2026.

## O que muda para o produtor rural

A agricultura familiar, que responde por 77% dos estabelecimentos agrícolas do país, é um dos setores que mais sofre com a falta de crédito. Com a duplicata escritural, o produtor que vende sua produção para cooperativas ou indústrias pode usar o título da venda como garantia para financiar a próxima safra. "Isso pode substituir o aval de terceiros, que é um gargalo enorme", afirma a pesquisadora Ana Paula Santos, da Embrapa.

## Desafios e ressalvas

Apesar das vantagens, a duplicata escritural exige que o empresário tenha acesso à internet e saiba usar o sistema. O Banco Central promete capacitação gratuita para pequenos negócios, mas o alcance ainda é incerto. Além disso, a medida depende da adesão dos bancos, que podem demorar a ajustar seus sistemas.

## Perguntas Frequentes

### O que é duplicata escritural?

É um título de crédito digital emitido pelo vendedor e registrado no Banco Central, que substitui a duplicata em papel.

### Quando entra em vigor?

A partir de janeiro de 2026, para todas as empresas.

### Quem pode emitir?

Qualquer empresa com CNPJ ativo, incluindo MEI e produtor rural.

### A duplicata escritural é gratuita?

Sim, o registro no sistema do BC é gratuito. O banco pode cobrar taxa pela antecipação.

### Como evitar fraudes?

O sistema do BC confirma a autenticidade do título em tempo real, eliminando duplicatas falsas.

### Preciso de contador?

Não, o sistema é simples e pode ser usado diretamente pelo empresário, mas recomenda-se orientação contábil.

Como abrir MEI e acessar crédito rural Taxas de antecipação de recebíveis para pequenas empresas Passo a passo para emitir duplicata escritural no BC

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Fonte (canonical): https://www.revistavidarural.com.br/tecnologia-no-campo/bc-lanca-duplicata-escritural-facilitar-credito-empresas/
