# Quase um terço dos usuários de internet relatam tentativas de golpe

> Pesquisa do Cetic.br revela que 32% dos usuários de internet no Brasil, aproximadamente 45 milhões de pessoas, relataram tentativas de golpe com uso de dados pessoais. Aplicativos de mensagem constituem a principal via de abordagem dos criminosos. O levantamento inédito dimensiona a exposição digital da população brasileira a fraudes online.

*Revista Vida Rural · Tecnologia no Campo · 31 de agosto de 2026 · Reinaldo Krieger*

Pesquisa inédita do Cetic.br mostra que 32% dos usuários de internet no Brasil, cerca de 45 milhões, sofreram tentativas de golpe com uso de dados pessoais. Aplicativos de mensagem lideram como via de abordagem.

Na semana em que o 17º Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais reuniu especialistas em São Paulo, um número chamou a atenção: 32% dos usuários de internet com 16 anos ou mais no Brasil, cerca de 45 milhões de pessoas, relataram ter sofrido tentativas de golpe com uso de dados pessoais. Outros 20% afirmaram ter sido vítimas efetivas desse tipo de crime, segundo a terceira edição da pesquisa "Privacidade e proteção de dados pessoais", apresentada nesta segunda-feira (31) no Centro de Convenções Rebouças.

O estudo, realizado pelo Cetic.br, área do NIC.br vinculado ao CGI.br, ouviu 2,5 mil respondentes em dezembro de 2025. Pela primeira vez, o levantamento perguntou se as pessoas identificavam as tentativas de golpe ou se foram vítimas. "As pessoas ficam constrangidas e abaladas", disse Winston Oyadomari, coordenador da pesquisa, à Agência Brasil.

Os canais de abordagem variam, mas há um campeão claro: 84% das tentativas ocorrem por aplicativos de mensagem. Na sequência vêm ligações telefônicas (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), SMS (71%), email (69%) e redes sociais (67%). Oyadomari nota que quem usa apenas o celular reporta mais golpes por sites falsos do que quem também usa computador, o que sugere vulnerabilidade adicional do dispositivo.

O impacto vai além do prejuízo financeiro. A maioria dos afetados citou estresse ou mal-estar, e os golpistas podem tomar controle de contas, inclusive o e-mail usado no Gov.br, bloqueando acesso a serviços públicos. "Pode tirar do cidadão o acesso a serviços fundamentais", alertou o coordenador.

A escolaridade pesa: quem tem nível mais baixo reportou todas as situações com mais frequência. "Entre as menos escolarizadas, o estrago é maior", pontuou. Para ele, a proteção de dados precisa andar junto com o desenvolvimento de habilidades digitais.

A pesquisa também estreou na investigação do uso de IA generativa sob a ótica da privacidade. O uso para trabalho ou estudo lidera (73%), mas 54% usam para sentimentos e emoções, e 52% para dados de saúde. A maioria (66%) está preocupada com o uso de dados pelas empresas, chegando a 72% entre os mais escolarizados. "O uso e a preocupação andam de mãos dadas", observou Oyadomari.

No setor empresarial, 69% das companhias armazenam dados pessoais de clientes. A biometria é o tipo mais guardado (31%), seguida de dados de saúde (26%). Já a LGPD avança devagar: apenas 16% das empresas nomearam um DPO. No setor público, a presença de áreas de privacidade subiu de 36% (2023) para 42% (2025), puxada por prefeituras de até 10 mil habitantes.

Para o produtor que lida com dados no dia a dia, a leitura é direta: o golpe não escolhe setor, mas escolhe a falta de atenção. Se 84% dos ataques chegam por mensageiros, desconfiar de link e pedido de senha é a primeira barreira. A pesquisa mostra que a preocupação existe, mas a prática ainda patina. proteção de dados na LGPD segurança digital para empresas

---

Fonte (canonical): https://www.revistavidarural.com.br/tecnologia-no-campo/quase-um-terco-usuarios-internet-relatam-tentativas-golpe/
