Safra e Produção

Brasil cria 58,5 mil postos de trabalho em julho, aponta Caged

ResumoBrasil registrou saldo positivo de 58.568 empregos formais em julho, conforme dados do Caged. O resultado representa o pior desempenho para o mês desde 2020. O setor de serviços liderou as contratações, enquanto o comércio apresentou demissões líquidas. A criação de vagas com carteira assinada reflete desaceleração frente a períodos anteriores, com impacto regional e setorial heterogêneo.

Brasil abre 58.568 vagas com carteira assinada em julho, pior resultado para o mês desde 2020. Setor de serviços lidera, enquanto comércio demite. Entenda os números.

Gustavo Della Coletta
Gustavo Della Coletta Editor de Café e Fruticultura · 28 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Brasil cria 58,5 mil postos de trabalho em julho, aponta Caged

O Brasil criou 58.568 postos de trabalho com carteira assinada em julho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego. O número mede a diferença entre contratações e demissões no período. O resultado é 57,3% menor que o de junho, quando foram abertas 137.044 vagas, e 56,3% abaixo do registrado em julho de 2025, que teve saldo positivo de 133.932 postos, com ajustes. É o pior julho da série desde 2020.

A queda é atribuída, na leitura dos dados, aos juros altos e à desaceleração da economia. Entre janeiro e julho, o acumulado de vagas formais caiu 20,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. O estoque total de trabalhadores com carteira assinada chegou a 48.082.866, alta de 0,12% sobre junho e de 1,02% na comparação anual.

Na divisão por setores, quatro dos cinco pesquisados criaram empregos. O comércio foi o único que demitiu mais do que contratou: o varejo dispensou 3.674 pessoas a mais do que admitiu, movimento típico para o mês. Nos serviços, o segmento de transporte, armazenagem e correio abriu 18.150 vagas, e saúde humana e serviços sociais, 12.235. A educação, porém, fechou 7.352 postos. Na construção, obras de infraestrutura geraram 7.087 empregos, seguidas por serviços especializados (+4.253). Na indústria, alimentos liderou com 6.994 vagas, depois veículos automotores (+3.440) e máquinas e materiais elétricos (+1.950).

Entre as cinco regiões, quatro tiveram saldo positivo. Por estado, 22 registraram contratações líquidas, com destaque para São Paulo (+17.814), Mato Grosso (+5.766) e Minas Gerais (+5.199). Cinco unidades da federação eliminaram vagas: Espírito Santo (-2.605), Rio Grande do Sul (-903), Tocantins (-366), Santa Catarina (-248) e Distrito Federal (-134). Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, no Espírito Santo as demissões refletem o fim da safra de café; no Tocantins, o movimento veio de comércio e agropecuária; no Rio Grande do Sul, da indústria do fumo e do comércio.

Para o trabalhador, o cenário indica cautela: o ritmo de contratação desacelerou, mas o estoque de empregos formais segue em nível recorde. Quem está no comércio, especialmente no varejo, sente o impacto sazonal de julho. Já setores como transporte e saúde continuam puxando a criação de vagas, o que pode orientar quem busca recolocação. Os números completos estão disponíveis no site do Ministério do Trabalho e Emprego.

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