Safra e Produção

CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano

ResumoA Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para este ano, conforme o Informe Conjuntural do 2º Trimestre. O avanço econômico moderado é impulsionado pela indústria extrativa, agropecuária e serviços, enquanto juros elevados e inflação restringem o ritmo de expansão.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do PIB para este ano, segundo o Informe Conjuntural do 2º Trimestre. A economia avança em ritmo moderado, puxada por indústria extrativa, agro e serviços, mas juros altos e inflação limitam o ritmo

Aparecida Sales
Aparecida Sales Repórter de Agricultura Familiar · 22 de julho de 2026 · 4 min de leitura
CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano

CNI mantém projeção de alta de 2% do PIB para este ano

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve em 2% a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro para este ano. A estimativa consta no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, divulgado nesta quarta-feira (22). A economia deve continuar avançando em ritmo moderado, impulsionada principalmente pela indústria extrativa, pelo agronegócio e pela resiliência do setor de serviços.

Setores que puxam e os que limitam o crescimento

Apesar do cenário positivo para alguns segmentos, a confederação alerta que juros elevados, inflação persistente, custos de produção mais altos e o aumento das importações devem limitar uma recuperação mais robusta da atividade econômica. Em nota, o diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que o crescimento continuará sustentado pelos setores ligados às commodities e por estímulos à demanda. Segundo ele, a política monetária restritiva e as fragilidades fiscais permanecem como entraves para uma expansão mais acelerada.

Inflação e cenário fiscal sob pressão

A CNI também revisou para cima a projeção da inflação para este ano. A expectativa é de que alimentos, combustíveis e a inflação de serviços mantenham pressão sobre os preços ao consumidor. O cenário fiscal também preocupa a entidade. Embora a arrecadação federal deva crescer, o aumento das despesas públicas deve manter as contas do governo no vermelho, elevando o endividamento do país.

Indústria: extrativa cresce, transformação sofre

A CNI revisou para cima a expectativa de crescimento da indústria este ano, impulsionada principalmente pela atividade extrativa, beneficiada pelo aumento da produção de petróleo e menos afetada pelos juros elevados. Na indústria de transformação, apesar da melhora na projeção, o setor continua pressionado pelo avanço das importações, pelos juros altos e pelo aumento dos custos decorrentes da guerra no Oriente Médio. Apenas sete dos 24 segmentos industriais apresentam crescimento, segundo a entidade.

Construção civil e agropecuária ganham fôlego

A construção civil deve ganhar impulso com medidas governamentais voltadas ao crédito habitacional e aos investimentos em infraestrutura. A expectativa de uma nova safra recorde, especialmente de soja, aliada ao crescimento da produção animal, levou a CNI a elevar pela segunda vez consecutiva a projeção para a agropecuária. Mesmo diante do aumento dos custos de insumos provocado pelo conflito no Oriente Médio, o setor deve apresentar desempenho superior ao previsto anteriormente.

Serviços sustentados, mas inadimplência pesa

O setor de serviços continua sendo sustentado pelo mercado de trabalho, pelas vendas do varejo e pelos segmentos de informação e comunicação. No entanto, o aumento da inadimplência das famílias, o maior endividamento e os juros elevados reduziram a expectativa de crescimento.

Juros: cortes menores e política restritiva

Diante da inflação persistente e da piora do cenário fiscal, a CNI reduziu a expectativa de queda da taxa básica de juros. Agora, a previsão é de apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026. Segundo a entidade, caso as projeções se confirmem, a política monetária permanecerá em nível bastante restritivo durante todo o próximo ano.

Riscos globais e tarifas dos EUA

No ambiente internacional, a guerra no Oriente Médio continua sendo apontada como o principal fator de risco para a economia brasileira. O conflito elevou os custos de combustíveis, energia e fertilizantes, embora a CNI avalie que essa pressão possa diminuir ao longo do ano diante do aumento esperado da oferta mundial de petróleo. Outro ponto de atenção é o avanço das importações de bens de consumo, que ocorre em meio à desaceleração da indústria nacional. A entidade ressalta, porém, que esse cenário poderá ser alterado caso avancem as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, fator que pode afetar o desempenho das exportações ao longo de 2026.

Perguntas Frequentes

O que é o PIB?

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no país em um período. Em 2024, segundo o IBGE, o PIB brasileiro foi de 11.744.000 R$ milhões.

Qual é a projeção da CNI para o PIB em 2026?

A CNI mantém a projeção de crescimento de 2% para o PIB brasileiro neste ano, conforme o Informe Conjuntural do 2º Trimestre.

Quais setores mais impulsionam a economia, segundo a CNI?

Os principais motores são a indústria extrativa, o agronegócio e o setor de serviços, que sustentam o crescimento em ritmo moderado.

Quais são os principais riscos para a economia apontados pela CNI?

Juros elevados, inflação persistente, custos de produção altos, aumento das importações e a guerra no Oriente Médio são os principais entraves.

Como a CNI vê a inflação e os juros para 2026?

A CNI revisou para cima a projeção da inflação e reduziu a expectativa de cortes na Selic, prevendo apenas duas reduções de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026.

Leia também

Publicidade