Safra e Produção

Dólar cai a R$ 5,17 com recompra de títulos nos EUA

ResumoO dólar comercial fechou em queda de 0,86%, cotado a R$ 5,17, após o Tesouro dos EUA ampliar a recompra de títulos de longo prazo. O Ibovespa subiu 0,90%, interrompendo uma sequência de 11 quedas. A movimentação reflete ajuste no mercado cambial e de ações brasileiras.

O dólar comercial fechou em queda de 0,86%, a R$ 5,17, após o Tesouro dos EUA anunciar ampliação da recompra de títulos de longo prazo. Ibovespa subiu 0,90%, interrompendo sequência de 11 quedas.

Reinaldo Krieger
Reinaldo Krieger Colunista de Mercados e Preços · 25 de agosto de 2026 · 2 min de leitura
Dólar cai a R$ 5,17 com recompra de títulos nos EUA

O dólar comercial fechou em queda de 0,86% nesta quarta-feira, cotado a R$ 5,17, após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar que pretende ampliar as operações de recompra de títulos de longo prazo. Foi a primeira vez em três sessões que a moeda fechou abaixo de R$ 5,20. Durante a manhã, por volta das 10h30, chegou a R$ 5,15.

A medida do Tesouro americano reduziu a pressão sobre os juros dos Treasuries (títulos do Tesouro dos EUA) e aumentou o apetite global por ativos de risco. O movimento acompanhou a desvalorização do dólar no exterior, com o índice DXY recuando 0,87%, aos 98,793 pontos.

Na véspera, o dólar comercial tinha fechado a R$ 5,22, no maior valor desde 30 de março, quando encerrou a R$ 5,24. Apesar da queda, a moeda ainda acumula alta de 1,83% na semana e de 2,09% em agosto. Em julho, havia registrado queda de 1,79%. Segundo o Banco Central, a PTAX de venda em 19/08/2026 foi R$ 5,1714.

O anúncio do Tesouro americano prevê operações entre 9 de setembro e 4 de novembro, com volume de pelo menos US$ 4 bilhões por operação, ante US$ 2 bilhões anteriormente, podendo dobrar o volume em alguns vencimentos entre 10 e 30 anos. Isso aliviou a pressão sobre a renda fixa dos EUA e de outros países desenvolvidos, direcionando parte dos recursos globais para mercados emergentes.

O Ibovespa avançou 0,90%, aos 167.830,27 pontos, interrompendo uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda, a mais longa desde 2023. O índice chegou a superar os 170 mil pontos durante o dia, com máxima de 170.340,60 pontos, mas perdeu força. A mínima foi de 166.334,73 pontos. Nos 11 pregões anteriores, o Ibovespa havia acumulado perda de 6,55%. A alta foi sustentada por ações de grande peso, como petroleiras, mineradoras e bancos.

A ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed, Banco Central dos Estados Unidos) também esteve no radar, mas teve impacto limitado. O documento mostrou preocupação dos dirigentes com a inflação; vários integrantes do Fomc estavam dispostos a elevar os juros, e muitos consideravam necessário um aumento caso a inflação não convergisse para a meta de 2%.

Apesar da recuperação, o mercado acionário brasileiro segue sob influência de fatores domésticos, como o nível elevado dos juros e as expectativas eleitorais. A saída de capital estrangeiro permanece no radar: até 17 de agosto, o saldo de investimentos estrangeiros na bolsa estava negativo em R$ 18,6 bilhões.

Para quem comercializa grãos, a leitura prática é de alívio pontual, não de reversão. O dólar ainda acumula alta semanal, e o câmbio segue sensível ao cenário externo e doméstico. A janela de venda, neste momento, depende mais da sua necessidade de fluxo do que da aposta em queda ou alta. Acompanhe os próximos pregões, especialmente os dados de inflação dos EUA, para calibrar decisões de hedge. câmbio e exportação de grãos

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