Dólar sobe a R$ 5,19 após tom mais duro do Fed
O dólar comercial fechou a R$ 5,196 (0,62%) nesta sexta-feira (28), após o tom mais duro do presidente do Fed. A bolsa resistiu e marcou a oitava alta seguida.
O dólar comercial fechou a semana vendido a R$ 5,196, com alta de 0,62% nesta sexta-feira (28). O movimento veio depois que o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, endureceu o tom sobre a inflação nos Estados Unidos, reforçando apostas de alta de juros em setembro. A moeda chegou a R$ 5,23 na máxima do dia, mas desacelerou no fim do pregão.
No acumulado da semana, o dólar subiu 1,06%. No ano, ainda cai 5,34%. A alta foi puxada pelo exterior: o índice DXY, que mede o dólar ante seis moedas fortes, avançava 0,57%, aos 99,668 pontos, no fim da tarde.
O gatilho foi o primeiro discurso de Warsh no simpósio de Jackson Hole. Ele afirmou que o Fed ainda terá trabalho se não houver confiança de que a inflação subjacente, que exclui alimentos, energia e hipotecas, volte à meta de 2% de forma clara e rápida. Isso elevou os rendimentos dos títulos do Tesouro americano: o título de dois anos subiu mais de 0,1 ponto percentual, para 4,35%.
No Brasil, os dados do Caged também pesaram. Foram criadas 58.568 vagas formais em julho, abaixo da estimativa das instituições financeiras. O número reforçou a percepção de desaceleração do mercado de trabalho e aumentou as apostas de corte da Selic em setembro, de 0,25 ponto, para 13,75%. A Selic está em 14% ao ano, enquanto os juros americanos estão entre 3,50% e 3,75%. Essa diferença influencia o fluxo internacional de recursos.
O Ibovespa fechou em alta de 0,30%, aos 175.664,62 pontos, a oitava alta consecutiva, mas perdeu força após o discurso de Warsh. Na semana, o índice subiu 2,71%; no ano, 9,02%. Em Nova York, as bolsas caíram: Dow Jones -0,02%, S&P 500 -0,25% e Nasdaq -0,52%, pressionados pela perspectiva de juros mais altos.
Para quem comercializa grãos, a leitura é de cautela. O câmbio segue sensível ao tom do Fed, e o real ainda acumula ganho no ano. Janela de venda pode se abrir se o dólar sustentar os R$ 5,20, mas nada garante continuidade. Acompanhe os próximos indicadores de inflação dos EUA antes de fixar preços câmbio e agronegócio.