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Brasil não deixará de negociar tarifas impostas pelos EUA, diz Durigan

ResumoO ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil não deixará de negociar as tarifas impostas pelos EUA. A declaração ocorre em meio à escalada da guerra comercial entre os dois países, que afeta diretamente exportadores de aço, alumínio e carne.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que o Brasil não deixará de negociar as tarifas impostas pelos EUA. A declaração ocorre em meio à escalada da guerra comercial entre os dois países, que afeta diretamente exportadores de aço, alumínio e carne.

Reinaldo Krieger
Reinaldo Krieger Colunista de Mercados e Preços · 17 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Brasil não deixará de negociar tarifas impostas pelos EUA, diz Durigan

Brasil não deixará de negociar tarifas impostas pelos EUA, diz Durigan

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil não deixará de negociar as tarifas impostas pelos EUA. A declaração foi dada durante entrevista à Reuters, em meio à escalada da guerra comercial entre os dois países. Segundo Fávaro, o governo brasileiro está aberto ao diálogo e buscará soluções que protejam os interesses nacionais, especialmente do agronegócio, que responde por cerca de 25% do PIB do país.

O Brasil não deixará de negociar as tarifas impostas pelos EUA. A afirmação é do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que destacou a disposição do governo em buscar acordos bilaterais para reduzir barreiras comerciais. A medida visa proteger setores como o de carnes, aço e alumínio, que foram alvo de tarifas de 25% e 10%, respectivamente, desde o início de 2025.

O contexto da guerra comercial

A imposição de tarifas pelos EUA começou em janeiro de 2025, sob o governo de Donald Trump, com alíquotas de 25% sobre aço e alumínio e 10% sobre carne bovina. A medida afetou diretamente as exportações brasileiras, que somaram US$ 42 bilhões em 2024, segundo dados do Ministério da Agricultura. O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, com 2,5 milhões de toneladas embarcadas em 2024.

Segundo Fávaro, a estratégia do Brasil é negociar caso a caso, setor por setor, para evitar retaliações que possam prejudicar ainda mais as relações bilaterais. "Não vamos deixar de negociar. Vamos sentar à mesa e buscar soluções que atendam aos interesses de ambos os países", afirmou o ministro.

Impactos no agronegócio

O agronegócio brasileiro é um dos mais afetados pelas tarifas. Em 2024, o Brasil exportou US$ 12 bilhões em carne bovina para os EUA, segundo dados do IBGE. Com a tarifa de 10%, o custo para o importador americano subiu, reduzindo a competitividade do produto brasileiro. Para o produtor rural, a janela de venda se estreitou: o preço da arroba do boi gordo caiu 8% desde janeiro, passando de R$ 320 para R$ 294, segundo o Cepea.

O setor de aço também sente o impacto. O Brasil exportou 3,2 milhões de toneladas de aço para os EUA em 2024, gerando US$ 2,8 bilhões. Com a tarifa de 25%, as siderúrgicas brasileiras perderam espaço no mercado americano, que agora busca fornecedores alternativos no Canadá e no México.

A posição do governo brasileiro

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Agricultura e do Itamaraty, tem buscado diálogo com os EUA. Em fevereiro, o Brasil apresentou uma proposta de redução gradual das tarifas, com prazo de 12 meses para a eliminação total. A proposta foi rejeitada pelos EUA, que condicionaram a negociação à abertura do mercado brasileiro para produtos americanos, como milho e soja transgênicos.

Fávaro, no entanto, mantém o otimismo. "Acreditamos que, com diálogo, podemos chegar a um acordo que beneficie ambos os lados. O Brasil não vai se fechar para negociações", disse o ministro. A declaração ecoa a posição do presidente Lula, que em janeiro afirmou que "o Brasil não vai retaliar de forma irresponsável, mas vai defender seus interesses".

O que esperar das negociações?

As negociações entre Brasil e EUA devem se intensificar nos próximos meses. Em maio, está prevista uma reunião do Conselho de Comércio Brasil-EUA, em Washington, onde as tarifas serão o principal tema. O Brasil deve apresentar uma nova proposta, que inclui a redução de tarifas para produtos americanos em troca da eliminação das tarifas sobre aço e carne.

Para o produtor rural, a recomendação é acompanhar de perto os desdobramentos. "O preço chega no produtor depois de três descontos: tarifa, frete e margem do frigorífico. Se a tarifa cair, o produtor ganha 5% a 10% de margem", explica Reinaldo Krieger, ex-operador de mesa e colunista de mercados. "Não estou dizendo que vai subir, mas a janela de venda pode se abrir."

Perguntas Frequentes

O que são tarifas comerciais?

Tarifas comerciais são impostos cobrados sobre produtos importados. No caso, os EUA impuseram tarifas de 25% sobre aço e alumínio e 10% sobre carne bovina do Brasil.

Por que o Brasil não retalia?

O governo brasileiro prefere negociar a retaliar, para evitar uma escalada que prejudique ainda mais as exportações e a economia como um todo.

Quais setores são mais afetados?

Os setores de carne bovina, aço e alumínio são os mais impactados. A carne bovina representa US$ 12 bilhões em exportações anuais para os EUA.

Como o produtor rural pode se proteger?

O produtor pode usar contratos futuros na B3 para travar preços, ou buscar mercados alternativos, como China e União Europeia.

Quando as negociações devem terminar?

Não há prazo definido. A próxima reunião do Conselho de Comércio Brasil-EUA está marcada para maio de 2026.

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