Dólar sobe e fecha perto de R$ 5,15 com aversão a risco
Dólar sobe e fecha perto de R$ 5,15 na segunda-feira (14), em dia de aversão a risco, petróleo em alta e incertezas políticas no Brasil. O Ibovespa caiu 0,91%, aos 185.500,88 pontos.
O dólar subiu e fechou perto de R$ 5,15 na segunda-feira (14), num pregão de aversão a risco nos mercados. A moeda chegou a avançar mais de 1% pela manhã e tocou a máxima de R$ 5,183, pouco antes das 11h. O Ibovespa caiu 0,91%, aos 185.500,88 pontos. O dólar PTAX de venda do Banco Central ficou em R$ 5,1696 no dia, acima dos R$ 5,0918 de 11 de setembro.
O que puxou o dólar e derrubou a bolsa
Três vetores explicam o movimento. O petróleo disparou: o Brent para novembro foi negociado a US$ 109,80 na manhã, alta próxima de 5%, após novos ataques contra infraestrutura energética da Arábia Saudita e a navios no Oriente Médio. Fechou a US$ 105,68, ainda com alta de 1,02%, acumulando ganhos superiores a 15% em setembro e de aproximadamente 75% no ano.
Aqui dentro, incertezas políticas pesaram, em meio à divulgação de pesquisas eleitorais. O mercado também acompanha a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) e os desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master. O caso relacionado ao ministro Alexandre de Moraes está previsto para ser analisado pelo plenário do STF nesta terça-feira (15).
Lá fora, o DXY, que mede o dólar ante seis moedas fortes, avançava 0,41% no fim da tarde, aos 99,508 pontos. Em Nova York, o S&P 500 caiu 0,48%, com preocupações sobre riscos ligados ao avanço da inteligência artificial.
Alívio parcial e o que fica no radar
A cotação perdeu força à tarde e marcou a mínima de R$ 5,1414. Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre possíveis negociações com o Irã reduziram parte das preocupações com a oferta global de petróleo. Notícias sobre eventual suspensão de ataques à infraestrutura energética entre Rússia e Ucrânia ajudaram no mesmo sentido.
No mercado de juros, a expectativa é de redução do diferencial entre as taxas brasileira e estadunidense. O Federal Reserve decide sobre os juros nos EUA na quarta-feira (17), enquanto o mercado projeta continuidade do ciclo de cortes da Selic. A alta do petróleo aumenta as preocupações sobre inflação e pode influenciar decisões de política monetária das principais economias.
O Ibovespa oscilou entre a mínima de 183.813,36 e a máxima de 187.320,96 pontos. A queda foi pressionada principalmente por ações de mineradoras, num ambiente de recuo dos contratos futuros de minério de ferro negociados na China. O volume financeiro somou R$ 24,4 bilhões.
Para quem acompanha a formação de custos no campo impacto do dólar nos insumos agropecuários, o câmbio pressionado encarece defensivos, fertilizantes e peças importadas, enquanto alivia o preço de commodities exportadas. Vale olhar a semana com atenção: a decisão do Fed na quarta (17) e a análise do STF na terça (15) tendem a definir a direção do dólar nos próximos pregões.