Sustentabilidade

Durigan: dívida do Brasil é menor do que de grandes economias, mas sob controle

ResumoO ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a dívida pública brasileira é menor que a de grandes economias, mas permanece sob controle. O principal desafio apontado são os juros elevados, cuja redução depende de confiança fiscal. A situação impacta o consumidor ao influenciar taxas de crédito e inflação.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a dívida pública brasileira, embora elevada, é menor que a de grandes economias. Ele explicou que o principal desafio são os juros e que a redução depende de confiança fiscal. Veja como isso impacta o consumidor.

Gustavo Della Coletta
Gustavo Della Coletta Editor de Café e Fruticultura · 27 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Durigan: dívida do Brasil é menor do que de grandes economias, mas sob controle

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (27) que a dívida pública brasileira continua elevada, mas está sob controle e em patamar inferior ao de diversas economias desenvolvidas. Em entrevista à Rádio Jornal de Pernambuco, ele argumentou que não existe uma regra internacional que estabeleça um limite único para o endividamento dos países e defendeu que a situação fiscal deve ser analisada de acordo com as características de cada economia.

"Não existe uma regra ou um limite colocado nos manuais internacionais, seja do FMI, seja de outra organização internacional, que diga qual é o limite do endividamento de um país. São tamanhos e países diferentes", afirmou o ministro.

Dívida do Brasil: como ela se compara às grandes economias?

Durigan ressaltou que a comparação favorável ao Brasil, em termos proporcionais na relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB, a soma de todos os bens e serviços produzidos no país), não significa que a situação do país esteja confortável. "Não estou comparando para dizer que o nosso está bom, porque o nosso não está bom", disse ao lembrar que a dívida bruta do Brasil está entre 80% e 81% do PIB, enquanto alguns países alcançam níveis que chegam a 200%.

"Quando você olha para os Estados Unidos, para os países da Europa, para a China, para o Japão, o endividamento é muito maior que o nosso", afirmou. "Temos um endividamento alto [no Brasil], mas ele está sob controle."

O que explica o crescimento da dívida? O papel dos juros

O ministro explicou que mesmo as projeções "muito conservadoras" do Tesouro Nacional apontam que a dívida brasileira continuará crescendo até 2030, mas que a partir daí ela começará a reduzir em termos proporcionais ao PIB. Para Durigan, o principal desafio é impedir que a dívida continue crescendo. Ele argumentou que, atualmente, o principal fator de pressão sobre o endividamento brasileiro são os juros pagos pelo governo para financiar a própria dívida - e pela população, que também acaba tendo de pagar taxas mais altas.

"O grande desafio é mostrar que, já que a gente não tem déficit primário. O que explica hoje o endividamento são os juros no país. A quantidade que pagamos de juros para rolar a dívida do país faz com que a gente aumente a nossa dívida pública", afirmou.

Como a confiança fiscal pode reduzir os juros?

O ministro defendeu que a redução desse custo depende da construção de confiança na condução da economia. Segundo ele, investidores precisam enxergar que o país tem condições de manter uma trajetória sustentável para as contas públicas ao longo do tempo. "Mostrar que eu tenho uma trajetória sustentável no tempo dá tranquilidade para o investidor", disse. "Dá tranquilidade para investidores e para os atores da economia do Brasil e do mundo, para que a gente diminua esse endividamento com o tempo."

Impacto no bolso do consumidor: o que muda?

Quando os juros da dívida pública sobem, o custo do crédito para famílias e empresas também aumenta. Isso encarece financiamentos, cartões de crédito e até mesmo o preço de produtos financiados. Por outro lado, se o governo conseguir reduzir os juros com maior credibilidade fiscal, o consumidor pode se beneficiar com taxas mais baixas e mais investimentos na economia.

Cenário internacional e o futuro fiscal do Brasil

Durigan acrescentou que a credibilidade fiscal se torna ainda mais importante em um contexto internacional marcado por guerras, tensões geopolíticas e incertezas econômicas. "É uma incerteza brutal saber se essa guerra [entre EUA e Irã] vai acabar, se não vai acabar. Nós temos que proteger o nosso povo com medidas racionais, que não prejudiquem as contas públicas", afirmou.

Segundo o ministro, preparar o país para um cenário global mais instável exige consolidação fiscal e capacidade de investimento em áreas estratégicas. "Preparar o país para o mundo de incerteza, para o mundo de conflito, é o que é mais importante. E essa preparação envolve consolidação fiscal", disse.

Na avaliação de Durigan, o equilíbrio das contas públicas não deve ser visto apenas como resposta às expectativas do mercado financeiro, mas como instrumento para garantir crescimento sustentável, ampliar investimentos e melhorar as condições de vida da população. Segundo ele, o objetivo é fazer com que o Brasil funcione como "um porto seguro para o mundo" em um ambiente internacional cada vez mais incerto.

Perguntas Frequentes

A dívida do Brasil é maior ou menor que a de outros países?

Segundo Durigan, a dívida brasileira, entre 80% e 81% do PIB, é menor que a de países como Estados Unidos, China e Japão, que chegam a 200%.

O que faz a dívida pública crescer?

O principal fator são os juros pagos pelo governo para rolar a dívida, que pressionam o endividamento mesmo sem déficit primário.

Como a dívida afeta os juros para o consumidor?

Juros altos na dívida pública encarecem o crédito para famílias e empresas, aumentando custos de financiamentos e cartões.

Quando a dívida brasileira vai começar a cair?

Projeções do Tesouro Nacional indicam que a dívida continuará crescendo até 2030 e depois começará a reduzir em proporção ao PIB.

O que o governo pode fazer para reduzir a dívida?

Construir confiança fiscal, reduzir os juros, consolidar as contas públicas e atrair investimentos, segundo Durigan.

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