Sustentabilidade

Empresas afetadas por tarifaço terão acesso a socorro de R$ 18,5 bi

ResumoO Plano Brasil Soberano 3 do governo federal disponibiliza R$ 18,5 bilhões em crédito subsidiado para exportadores e setores estratégicos. O socorro financeiro visa mitigar os impactos da tarifa de 25% imposta pelos EUA sobre parte dos produtos brasileiros, entrando em vigor no mesmo dia do novo tarifaço norte-americano.

No dia da entrada em vigor do novo tarifaço dos EUA, o governo federal anunciou o Plano Brasil Soberano 3, com R$ 18,5 bilhões em crédito subsidiado para exportadores e setores estratégicos. A medida visa mitigar os impactos da tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros.

Aparecida Sales
Aparecida Sales Repórter de Agricultura Familiar · 22 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Empresas afetadas por tarifaço terão acesso a socorro de R$ 18,5 bi

Empresas afetadas por tarifaço terão acesso a socorro de R$ 18,5 bi

No dia da entrada em vigor do novo tarifaço dos Estados Unidos, o governo federal anunciou um novo pacote de apoio às empresas brasileiras. Batizada de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos para a economia nacional. O programa também pretende beneficiar empresas afetadas por conflitos internacionais.

O anúncio coincide com a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% aplicada pelo governo dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado norte-americano. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a medida deve atingir cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os Estados Unidos, o equivalente a US$ 5,8 bilhões em exportações.

Como funciona o Plano Brasil Soberano 3

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória (MP) e um projeto de lei de conversão. A nova MP permitirá a ampliação do Plano Brasil Soberano, ao autorizar o uso de recursos do Tesouro Nacional em conjunto com recursos próprios do BNDES para financiar as novas linhas de crédito. Também nesta quarta, Lula sancionou o Projeto de Lei de Conversão nº 7, originado da Medida Provisória 1.345, de março deste ano, que instituiu as linhas de financiamento do Plano Brasil Soberano.

O Congresso ampliou o escopo do texto para contemplar, além dos exportadores de bens industriais e seus fornecedores, setores considerados estratégicos para o comércio exterior brasileiro. Dos R$ 18,5 bilhões anunciados, os recursos serão divididos entre o Tesouro Nacional e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Quem pode acessar o crédito

Além das empresas diretamente atingidas pelo tarifaço norte-americano, o programa passa a contemplar exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente aqueles com operações no Golfo Pérsico, e amplia o acesso ao crédito para setores estratégicos. A legislação também permite que os recursos sejam utilizados para adequações exigidas pelo comércio internacional, como requisitos sanitários, ambientais, de rastreabilidade e conformidade.

As taxas de financiamento variam conforme a finalidade do crédito, chegando a 3% ao ano para projetos ligados a minerais críticos e 9,80% ao ano para capital de giro destinado a grandes empresas.

O que dizem as autoridades

Durante o anúncio, o vice-presidente Geraldo Alckmin destacou que o programa vai além da oferta de crédito. "O Brasil Soberano 3, além de garantir crédito para as empresas envolvidas, traz outro benefício, que é o seguro garantia para pequenas empresas", declarou.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que os segmentos mais prejudicados pelas tarifas norte-americanas incluem setores como siderurgia, alumínio, café e suco de laranja. Ele acrescentou que o programa também pretende atender empresas afetadas por novas medidas protecionistas em estudo pelos Estados Unidos. "A linha 3 do Brasil Soberano vai acolher não só quem já estava sofrendo pelos conflitos geopolíticos e pelas tarifas já adotadas, como também para as que vierem, como as esperadas para sexta-feira, de trabalho forçado."

Negociações em andamento

Apesar do reforço financeiro, o governo informou que continua buscando uma solução negociada para o impasse comercial com os Estados Unidos. Segundo integrantes da equipe econômica e diplomática, o Brasil manteve diálogo com representantes da Casa Branca até os últimos dias antes da entrada em vigor das novas tarifas, mas as negociações não avançaram. O governo brasileiro avalia que a decisão norte-americana teve motivação política e reafirma que pretende manter aberta a via diplomática.

Na véspera do anúncio do pacote, Alckmin voltou a descartar medidas imediatas de retaliação comercial. "A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", afirmou Alckmin na terça-feira.

Histórico do programa

O Plano Brasil Soberano foi criado em 2025 para apoiar empresas exportadoras diante das primeiras medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos. Com a nova etapa, o governo amplia os instrumentos de financiamento para empresas exportadoras e setores considerados estratégicos, enquanto busca reduzir os impactos das barreiras comerciais e preservar a competitividade da indústria brasileira no mercado internacional.

Perguntas Frequentes

Quem pode acessar o crédito do Plano Brasil Soberano 3?

Empresas exportadoras diretamente atingidas pelas tarifas dos EUA, setores estratégicos e exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente no Golfo Pérsico.

Qual o valor total do pacote?

R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados.

Quais as taxas de juros?

Variam de 3% ao ano para projetos de minerais críticos a 9,80% ao ano para capital de giro de grandes empresas.

O que cobre o crédito?

Pode ser usado para adequações sanitárias, ambientais, de rastreabilidade e conformidade exigidas pelo comércio internacional.

O governo vai retaliar os EUA?

Não. O vice-presidente Alckmin descartou retaliação imediata, defendendo a via diplomática.

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