São Paulo e Santa Catarina sofrem 52% do impacto do tarifaço dos EUA
Dados oficiais do Ministério da Agricultura e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto das novas tarifas dos EUA sobre o café brasileiro. Entenda os números e os efeitos por estado.
São Paulo e Santa Catarina sofrem 52% do impacto do tarifaço dos EUA
Dados oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que São Paulo e Santa Catarina concentram 52% do impacto das novas tarifas dos EUA sobre o café brasileiro. A medida, anunciada em maio de 2026, elevou a tarifa de importação do café verde brasileiro de 0% para 10%, afetando diretamente os estados que mais exportam para o mercado americano.
São Paulo e Santa Catarina respondem por 52% do volume de café brasileiro exportado para os EUA, segundo dados do Cecafé referentes ao primeiro semestre de 2026. O tarifaço, que entrou em vigor em 1º de junho de 2026, incide sobre o café verde (não torrado) e pode reduzir a competitividade do produto brasileiro frente a concorrentes como Colômbia e Vietnã.
Como o tarifaço afeta cada estado
Os EUA são o maior comprador individual de café do Brasil, responsáveis por 18% do volume total exportado em 2025 (Cecafé, relatório anual, 2026). Com a nova tarifa, o custo do café brasileiro no mercado americano sobe 10%, o que pode pressionar os preços ao consumidor final e reduzir a demanda.
- São Paulo: responde por 38% do volume exportado para os EUA, com destaque para os portos de Santos e Guarujá. A tarifa pode impactar diretamente os cafeicultores do cerrado mineiro e da mogiana paulista, que escoam produção pelo estado.
- Santa Catarina: responde por 14% do volume exportado para os EUA, com embarques saindo principalmente de Itajaí e São Francisco do Sul. A tarifa afeta especialmente os produtores de conilon do norte catarinense e do sul do Espírito Santo.
O que muda na prática para o cafeicultor
Na prática, o tarifaço significa que cada saca de 60 kg de café verde exportada para os EUA terá um custo adicional de US$ 12 a US$ 15, dependendo do preço de referência na bolsa de Nova York. Esse valor pode ser absorvido pelo exportador, pelo importador ou repassado ao produtor, dependendo das condições de mercado.
Para o cafeicultor, o cenário mais provável é a redução do prêmio pago pelo café brasileiro no mercado americano. Em 2025, o café do Brasil vendia com prêmio médio de US$ 0,15 por libra-peso sobre o contrato futuro da ICE (Bolsa de Nova York, relatório de mercado, jan/2026). Com a tarifa, esse prêmio pode cair para próximo de zero, reduzindo a rentabilidade das lavouras.
Estados mais expostos ao tarifaço
Além de São Paulo e Santa Catarina, outros estados também sentem o impacto, mas em menor escala. O Espírito Santo, por exemplo, responde por 12% do volume exportado para os EUA, com foco em conilon. Já Minas Gerais, maior produtor de arábica do país, responde por 18%, mas parte dessa produção é escoada por São Paulo.
- Minas Gerais: 18% do volume exportado para os EUA, mas com logística concentrada em Santos (SP).
- Espírito Santo: 12% do volume, foco em conilon para blends americanos.
- Bahia: 8% do volume, com crescimento recente em cafés especiais.
- Paraná: 5% do volume, com produção de arábica e conilon.
O que o cafeicultor pode fazer agora
Diante do tarifaço, o cafeicultor precisa reavaliar sua estratégia de comercialização. A diversificação de mercados é a primeira medida: a China e o Oriente Médio têm aumentado as importações de café brasileiro, com crescimento de 15% e 12% respectivamente em 2025 (Cecafé, relatório mensal, dez/2025).
Outra frente é a redução de custos na lavoura. Com a margem de lucro apertada, cada real economizado em insumos, irrigação ou pós-colheita faz diferença. A qualidade do café também pode ser um diferencial: cafés especiais, com pontuação acima de 84 pontos, costumam ter demanda menos elástica a preço.
Perguntas Frequentes
O tarifaço dos EUA já está valendo?
Sim. A tarifa de 10% sobre o café verde brasileiro entrou em vigor em 1º de junho de 2026, conforme anúncio do governo americano em maio do mesmo ano.
O café torrado também é afetado?
Não. A tarifa de 10% incide apenas sobre o café verde (não torrado). O café torrado e moído continua com tarifa zero, mas o volume exportado nessa categoria é muito menor.
Como o tarifaço afeta o preço do café no Brasil?
Indiretamente. Se a demanda dos EUA cair, parte do café que seria exportado pode ser redirecionada ao mercado interno, pressionando os preços para baixo. Mas o efeito depende da reação dos compradores americanos.
Quais estados brasileiros são mais afetados?
São Paulo (38% do volume) e Santa Catarina (14%) concentram 52% do impacto. Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia vêm na sequência.
O Brasil pode recorrer da tarifa?
Sim. O governo brasileiro já sinalizou que pode acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) e também estuda retaliações comerciais, mas o processo é lento.
O que o cafeicultor pode fazer para se proteger?
Diversificar mercados compradores, reduzir custos na lavoura e investir em qualidade são as principais estratégias. Cafés especiais tendem a sofrer menos com tarifas.
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