Até 53% da Dívida Pública poderá ser corrigida pela Selic
O Tesouro Nacional revisou o Plano Anual de Financiamento e elevou a proporção da Dívida Pública Federal corrigida pela Selic para até 53% em 2026, reflexo da demanda por títulos atrelados aos juros altos.
O Tesouro Nacional elevou a proporção da Dívida Pública Federal (DPF) corrigida pela Selic. A nova meta, divulgada nesta quarta-feira (26) na revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF), prevê que entre 49% e 53% do endividamento do governo seja atrelado aos juros básicos da economia, hoje em 14% ao ano. O documento traz metas e parâmetros para a administração da dívida pública.
A revisão do PAF, que tradicionalmente é divulgado em janeiro e passa por ajustes no segundo semestre, manteve a meta do valor total da DPF para o fim de 2026 na faixa de R$ 9,7 trilhões a R$ 10,3 trilhões. Mas a composição mudou: com o aumento dos títulos vinculados à Selic, as fatias dos prefixados e dos corrigidos pela inflação caíram. O prazo médio da dívida foi mantido entre 3,8 e 4,2 anos.
A demanda por papéis atrelados à Selic cresce por causa dos juros altos definidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). Contribuiu também o lançamento do Tesouro Reserva, título equivalente aos cofrinhos de instituições financeiras. Já os prefixados, embora deem mais previsibilidade à dívida, perdem espaço em momentos de instabilidade: os investidores pedem juros muito altos, o que comprometeria a administração do governo.
A dívida cambial, composta por antigos títulos internos corrigidos em dólar e pela dívida externa, segue como componente à parte. Para quem acompanha o mercado, o movimento indica aposta na manutenção da Selic elevada por mais tempo. o que é a Selic e como ela afeta seus investimentos