Sustentabilidade

Gastos com apostas online no Rio chegam a R$ 2,2 bilhões anualmente, aponta Fecomércio

ResumoPesquisa da Fecomércio com 1.024 pessoas da região metropolitana do Rio de Janeiro revela que R$ 2,2 bilhões são gastos anualmente com apostas online. O montante equivale a mais de três vezes a movimentação financeira estimada para compras de supermercado, representando recursos que deixam de circular na economia fluminense.

Levantamento com 1.024 pessoas da região metropolitana do Rio mostra que R$ 2,2 bilhões são gastos anualmente com apostas online, recursos que deixam de circular na economia fluminense. O montante equivale a mais de três vezes a movimentação financeira estimada para as compras de

Sebastião Quirino
Sebastião Quirino Repórter Sênior de Política Agrícola · 28 de julho de 2026 · 4 min de leitura
Gastos com apostas online no Rio chegam a R$ 2,2 bilhões anualmente, aponta Fecomércio

Os moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro gastam R$ 2,2 bilhões por ano com apostas online, valor que deixa de circular na economia fluminense, segundo levantamento do Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises. O montante equivale a mais de três vezes a movimentação financeira estimada para as compras de Natal na região.

O gasto médio de cada apostador é de R$ 1,2 mil por ano. Praticamente um em cada quatro entrevistados (22,7%) já participou de apostas virtuais, mostra a pesquisa, que ouviu 1.024 pessoas entre os dias 22 e 25 de junho.

O perfil de quem aposta na região metropolitana do Rio

As bets esportivas são a modalidade mais popular, citadas por 60,9% dos entrevistados. Em seguida vem o chamado "tigrinho" e outros jogos virtuais de cassino, mencionados por 49,4% dos apostadores. Como a pergunta permitia múltiplas respostas, parte dos entrevistados afirmou participar de mais de um tipo de aposta.

Entre os apostadores, 65,6% são homens e 34,4% mulheres. A maior concentração está na faixa de 25 a 34 anos (36,1%), seguida pela de 18 a 24 anos (24,8%). Quanto à escolaridade, 66,9% têm ensino médio completo, enquanto 12,9% concluíram o ensino superior.

Sobre a renda, a maior parcela recebe de um a dois salários mínimos (36%), seguida pelos que ganham de 2 a 3 salários mínimos (19,7%).

Segurança e motivação: o que dizem os apostadores

O estudo destaca um comportamento preocupante em relação à segurança das plataformas: 48,5% dos entrevistados que já apostaram afirmaram que não verificam se o site é legalizado antes de jogar.

De acordo com o levantamento, 48,7% dos entrevistados disseram que um dos motivos para apostar é a expectativa de obter retorno financeiro. Desse total, 28,3% disseram buscar a chance de ganhar dinheiro rápido ou considerar a aposta um investimento.

Outros 20,4% informaram apostar para fazer renda extra. Nesse caso, chama a atenção o fato de que 70% afirmam usar o próprio salário nas apostas, indicando que parte da renda mensal é direcionada a essa prática.

Publicidade de bets: novas regras no Rio

Desde o dia 13 de julho, a prefeitura do Rio de Janeiro proíbe a veiculação de publicidade de plataformas de apostas em espaços públicos da cidade. A medida atinge locais onde há publicidade exterior, mobiliário urbano e demais locais cuja exploração dependa de autorização, licença, permissão ou concessão do município.

Além disso, as plataformas de apostas esportivas estão obrigadas a exibir alertas do Ministério da Fazenda sobre dependência em suas campanhas publicitárias. Semelhante ao que já ocorre nas propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas, as advertências destacam que "apostar pode causar dependência, faz você perder dinheiro e não é investimento."

O impacto na economia fluminense

A letra miúda do levantamento revela um dado que o anúncio oficial não destaca: o montante de R$ 2,2 bilhões que sai da economia local equivale a mais de três vezes a movimentação financeira estimada para as compras de Natal. Em outras palavras, o que se perde com apostas online poderia aquecer o comércio de fim de ano por três temporadas seguidas.

A concentração de apostadores entre jovens de 18 a 34 anos (soma de 60,9%) sugere que a fatia mais ativa da força de trabalho da região metropolitana está direcionando parte de sua renda para as plataformas. Considerando que 36% dos apostadores ganham entre um e dois salários mínimos, o impacto no orçamento familiar tende a ser mais severo do que em faixas de renda mais altas.

Perguntas Frequentes

Quanto os moradores do Rio gastam com apostas online por ano?

Segundo o Instituto Fecomércio, são R$ 2,2 bilhões anuais, valor que supera em três vezes o movimento estimado para as compras de Natal.

Qual o gasto médio de cada apostador?

O gasto médio é de R$ 1,2 mil por ano, de acordo com a pesquisa com 1.024 pessoas da região metropolitana.

Qual a faixa etária que mais aposta?

A maior concentração está entre 25 e 34 anos (36,1%), seguida por 18 a 24 anos (24,8%).

Quantos apostadores verificam se o site é legalizado?

48,5% dos entrevistados que já apostaram afirmaram que não verificam se o site é legalizado antes de jogar.

O que a prefeitura do Rio fez contra a publicidade de bets?

Desde 13 de julho, a prefeitura proíbe a veiculação de publicidade de plataformas de apostas em espaços públicos, como mobiliário urbano e locais que dependam de concessão municipal.

As plataformas precisam exibir alertas?

Sim, as bets são obrigadas a exibir alertas do Ministério da Fazenda sobre dependência, nos moldes das propagandas de cigarros e bebidas alcoólicas.

Leia também

Publicidade