Sustentabilidade

Prévia da inflação oficial fica em 0,06% em julho, diz IBGE

ResumoO IPCA-15, prévia da inflação oficial medida pelo IBGE, registrou 0,06% em julho, a menor taxa do ano. O índice ficou abaixo do mês anterior (0,41%) e de julho de 2025 (0,33%). Habitação subiu 0,97% puxada pela energia elétrica; alimentação caiu 0,66%, com destaque para o tomate, que recuou quase 20%.

O IPCA-15, prévia da inflação oficial, ficou em 0,06% em julho, menor taxa do ano. O índice veio abaixo do mês anterior (0,41%) e de julho de 2025 (0,33%). Habitação subiu 0,97%, puxada pela energia elétrica; alimentação caiu 0,66%, com destaque para o tomate, que ficou quase 20%

Sebastião Quirino
Sebastião Quirino Repórter Sênior de Política Agrícola · 28 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Prévia da inflação oficial fica em 0,06% em julho, diz IBGE

Prévia da inflação oficial fica em 0,06% em julho, diz IBGE

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que mede a prévia da inflação oficial, ficou em 0,06% em julho deste ano. A taxa veio abaixo das observadas no mês anterior (0,41%) e em julho de 2025 (0,33%). O dado foi divulgado nesta terça-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com o resultado, o IPCA-15 acumula taxas de inflação de 3,51% no ano e de 4,52% em 12 meses. A desaceleração em relação a junho, quando a prévia marcou 0,41%, é a mais intensa desde o início da série recente de aperto monetário.

Por que a prévia da inflação caiu tanto em julho?

A principal força por trás da desaceleração foi o grupo alimentação, que registrou deflação de 0,66% no período. É a primeira queda expressiva do grupo desde o início de 2026, quando os preços dos alimentos começaram a pressionar o orçamento das famílias.

Comprar alimentos para preparar comida dentro de casa, a chamada alimentação no domicílio, ficou 1,14% mais barato. As quedas mais expressivas vieram de produtos in natura: o tomate caiu 19,95%, a batata-inglesa recuou 10,03% e o café moído ficou 3,13% mais barato.

Enquanto isso, comer fora de casa subiu 0,55% no período. A diferença mostra que a deflação se concentra nos alimentos não processados, enquanto o setor de serviços alimentícios mantém reajustes.

Habitação puxa a inflação de julho

O principal responsável pela inflação na prévia de julho foi o grupo de despesas habitação, que apresentou alta de 0,97% no período. A taxa foi puxada pelos aumentos de 3,03% na energia elétrica residencial e de 0,26% na tarifa de água e esgoto.

O reajuste da energia elétrica reflete, em parte, a entrada em vigor de bandeiras tarifárias mais caras em algumas regiões, movimento que já havia sido sinalizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no início do ano. A letra miúda, aqui, é que o impacto da energia sobre o IPCA-15 tende a se repetir nos meses seguintes, já que o período de coleta de preços (17 de junho a 15 de julho) capturou apenas parte dos reajustes.

Os grupos que subiram e os que caíram

Dos sete grupos de despesa analisados pelo IPCA-15, quatro tiveram inflação em julho:

  • Habitação: 0,97%
  • Saúde e cuidados pessoais: 0,28%
  • Artigos de residência: 0,19%
  • Transportes: 0,11%
  • Despesas pessoais: 0,08%

Três grupos registraram deflação:

  • Vestuário: -0,33%
  • Educação: -0,04%
  • Comunicação: -0,02%

O grupo transportes, que pesa cerca de 20% no índice geral, subiu apenas 0,11%, bem abaixo da média dos meses anteriores. A desaceleração nos combustíveis, especialmente na gasolina, ajudou a segurar o indicador.

IPCA-15 versus IPCA cheio: o que esperar?

O IPCA-15 é calculado com base nos preços coletados entre 17 de junho e 15 de julho, enquanto o IPCA cheio de julho, que será divulgado pelo IBGE em agosto, considera o mês fechado. Historicamente, a prévia tende a se aproximar do dado final, mas diferenças ocorrem quando há reajustes concentrados no fim do mês.

Nos últimos meses, o IPCA cheio registrou variações de 0,16% em junho, 0,58% em maio, 0,67% em abril, 0,88% em março e 0,70% em fevereiro (Banco Central do Brasil). A sequência mostra uma trajetória de desaceleração gradual desde o pico de março, quando a inflação mensal chegou a 0,88%.

Se o IPCA de julho confirmar a tendência do IPCA-15, será a menor taxa mensal desde janeiro, quando o índice variou 0,33% (Banco Central do Brasil).

O que a desaceleração significa para o bolso do consumidor?

A queda na prévia da inflação alivia o poder de compra das famílias, especialmente na ponta dos alimentos. O tomate 19,95% mais barato, por exemplo, representa uma diferença concreta no carrinho de compras de quem cozinha em casa.

Por outro lado, a energia elétrica 3,03% mais cara e a tarifa de água e esgoto 0,26% maior pressionam as contas fixas, despesas sobre as quais o consumidor tem menos margem de ajuste. Para quem depende de crédito rural ou financiamento agrícola, a inflação mais baixa nos alimentos pode significar margens um pouco menos apertadas, já que os custos de produção (energia, transporte, insumos) seguem em alta.

Perguntas Frequentes

O que é o IPCA-15?

O IPCA-15 é a prévia da inflação oficial do Brasil, calculada pelo IBGE. Ele mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos, considerando o período de coleta entre o dia 17 do mês anterior e o dia 15 do mês de referência.

Qual a diferença entre IPCA-15 e IPCA?

O IPCA-15 é uma prévia, com período de coleta menor (cerca de um mês, contra o mês cheio do IPCA). O IPCA é o índice oficial usado pelo Banco Central para acompanhar a meta de inflação.

O que significa deflação no IPCA-15?

Deflação é a queda generalizada dos preços. Em julho, o grupo alimentação registrou deflação de 0,66%, o que significa que os alimentos ficaram, em média, mais baratos do que no mês anterior.

Por que a energia elétrica subiu tanto?

A energia elétrica residencial subiu 3,03% em julho, reflexo de reajustes tarifários e bandeiras mais caras em algumas regiões. O impacto foi o principal motor da inflação do grupo habitação.

O IPCA-15 de julho indica que a inflação está sob controle?

A taxa de 0,06% é a menor do ano, mas o acumulado em 12 meses de 4,52% ainda está acima do centro da meta de inflação (3,0%). A desaceleração é um alívio, mas o Banco Central deve manter cautela nas próximas decisões de juros.

IPCA oficial de junho de 2026 Meta de inflação e Selic 2026

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